PF investiga ‘mesada’ a políticos após apreender planilha na casa de bicheiro

A Polícia Federal (PF) investiga uma suposta rede de pagamentos periódicos a agentes políticos no Rio de Janeiro, após encontrar listas com nomes de pelo menos 25 políticos em um imóvel ligado ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Os documentos, apreendidos em novembro de 2022 durante a Operação Smoke Free, motivaram uma das frentes da investigação que resultou na 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2), envolvendo prisões e bloqueios de bens.
O que aconteceu
- A Polícia Federal apura lista de pagamentos a políticos ligada ao contraventor Adilsinho, chefe da máfia do cigarro.
- Documentos foram encontrados em imóvel de Adilsinho durante Operação Smoke Free, em 2022, e deram origem à 5ª fase da Operação Unha e Carne.
- Ex-deputado Rodrigo Bacellar e pastor Márcio Poncio estão entre os presos na operação determinada pelo STF, que também bloqueou R$ 22 milhões.
As listas de nomes estavam armazenadas em uma mala de couro, encontrada ao lado da cama de Adilsinho. A Polícia Federal iniciou a análise dos documentos por suspeitas de pagamentos indevidos, doações eleitorais ilícitas e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.
Os registros são considerados cruciais pelos investigadores, pois apontam possíveis repasses de recursos a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. Embora a corporação ainda não tenha identificado formalmente os destinatários, a apuração visa confirmar a suspeita de que a organização criminosa realizava pagamentos regulares a políticos.
Máfia do cigarro: quem é Adilsinho?
Adilson Oliveira Coutinho Filho é apontado pela Polícia Federal como um dos principais líderes da conhecida “Máfia do Cigarro” no Rio de Janeiro. Ele está preso desde fevereiro e, mesmo detido, foi novamente alvo de um mandado de prisão expedido na nova fase da operação. O contraventor já havia conseguido evadir-se de ao menos duas ações anteriores da PF.
Prisões e bloqueio de bens
Além de Adilsinho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já se encontrava detido, e do pastor Márcio Poncio.
Márcio Poncio foi detido em sua residência, localizada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Empresário do setor de tabaco, ele é investigado por supostas ligações com a organização criminosa. Rodrigo Bacellar, por sua vez, foi encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, e deverá ser transferido de Bangu 8 para um presídio federal.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes incluiu ainda o bloqueio de bens e valores dos investigados, totalizando um montante de até R$ 22 milhões.
Conforme a Polícia Federal, a operação atual faz parte das investigações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, popularmente conhecida como ADPF das Favelas. Entre as diretrizes estabelecidas pela Corte está a rigorosa apuração da atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro e suas possíveis conexões com agentes públicos.
Defesa do contraventor nega irregularidades
Em nota oficial, a defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaçou as acusações. “A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho nega veementemente a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal”, afirmou.
IstoÉ



