A pesquisa e a reclamação de Lula contra o Supremo em ano eleitoral

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Com o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma crise de imagem sem precedentes, o presidente Lula reclamou recentemente com magistrados da Corte de possíveis danos eleitorais que o desgaste de alguns juízes poderia provocar em sua campanha à reeleição. O diagnóstico do petista estava calcado em pesquisas internas do Palácio do Planalto, que mostrariam que a vinculação do presidente aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados no contexto das investigações sobre o Banco Master, poderiam afetar o desempenho do político nas urnas.
Segundo interlocutores que acompanharam a conversa, o presidente reclamou que as versões dos magistrados não tinham convencido o eleitor e que parte da população o associava aos ministros desgastados com o caso Master. Ato contínuo, dizia que manteria a defesa pública do tribunal ao longo da campanha, mas que também era preciso que a Corte “se ajudasse”. “Lula está convencido de que o Supremo é um peso eleitoral para ele. O diagnóstico é do próprio presidente, embora o médico tenha sido o Sidônio”, disse a VEJA uma autoridade a par do assunto.
O escândalo envolvendo o ex-banco de Daniel Vorcaro já havia levado o ex-líder do governo Jaques Wagner e o ministro da Secretaria de Comunicação Sidônio Palmeira a procurar interlocutores do tribunal para explicar as relações do PT com antigos sócios do Master, como o empresário baiano Augusto Lima. Wagner, por exemplo, garantira a magistrados não ter cometido irregularidade nenhuma em sua relação com Lima, embora em junho tenha sido alvo de uma das fases da Operação Compliance Zero por suspeitas de que recebeu um apartamento e dinheiro em troca de atuar em favor de interesses do investigado no Congresso. O ex-líder governista mantém a versão de inocência.
Mesmo fora dos anos de eleição, a relação do presidente da República com o STF sempre foi pendular, mas Lula nunca perdoou Dias Toffoli, antigo sócio de um resort comprado por pessoas ligadas a Vorcaro. Não pela transação em si, mas pelo fato de não ter sido autorizado pelo magistrado a acompanhar o velório de um irmão em janeiro de 2019, época em que estava preso por conta de condenações na Lava-Jato. Dia sim outro também o petista espalha impropérios contra o antigo aliado, a quem indicou para o STF ainda em 2009, e já disse a diferentes interlocutores que desejaria que ele simplesmente deixasse o cargo. Conforme mostrou VEJA, em outra frente interlocutores do magistrado chegaram a aventar a hipótese de Toffoli solicitar uma licença médica para esperar a poeira do caso Master baixar e poupar o tribunal de maiores desgastes – o que não ocorreu.
No caso de Moraes, o presidente anunciou em entrevistas que conversou reservadamente com o ministro do Supremo e sugeriu a ele que viesse a público explicar a atuação da esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, na defesa de processos do conglomerado de Vorcaro. A advogada tinha um contrato de 129 milhões de reais com o Master, dos quais cerca de 80 milhões foram pagos. “Eu disse ao ministro Alexandre de Moraes: ‘você construiu a biografia histórica deste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia. A sua mulher estava advogando? Diga textualmente que a sua mulher estava advogando’”, afirmou ao canal ICL.
Para além de Toffoli, que atuou na Casa Civil no governo petista, Lula e Moraes haviam se aproximado por conta dos inquéritos que alvejaram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados dele. Agora é interesse do presidente montar um cordão sanitário para que a simbiose do passado não comprometa os votos do futuro.
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