Política

Partidos nanicos falam em cansaço com Tarcísio e Haddad após somarem pontos em pesquisa

Empatados em terceiro lugar na disputa pelo Governo de São Paulo, pré-candidatos de partidos nanicos afirmam que o cansaço em relação às políticas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) abre caminho junto ao eleitorado.

De acordo com o levantamento Datafolha divulgado no dia 05 de julho, Tarcísio lidera as intenções de voto, com 46%, seguido por Haddad, com 30%. Na sequência aparecem Vera Lúcia (PSTU), com 5%, e Vivian Mendes (UP) e Carlos Machado (PCB), ambos com 4%. Somados, têm 13% das intenções de voto.

Com a desistência de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), o desempenho dos três pode ser determinante para que a disputa vá ou não ao segundo turno.

Os três dizem buscar ampliar a margem de votos com estratégias semelhantes de mobilização: trabalho junto a movimentos sociais, diálogo com eleitores nas ruas e divulgação de propostas nas redes sociais.

Como as legendas não cumpriram a cláusula de barreira ou outras exigências da lei eleitoral, os pré-candidatos não têm direito a fundo partidário e propaganda de rádio e TV.

Eles afirmam que Tarcísio é o representante da extrema direita e do bolsonarismo.

Vera Lúcia, 58, diz que o governador adota uma agenda ultraliberal, com uma gestão violenta para pobres, negros e imigrantes.

“É um governo que privilegia entregar tudo à iniciativa privada por meio das privatizações e que defende o imperialismo de Donald Trump”, diz ela, para quem o resultado nas pesquisas ajuda a tirar o partido da invisibilidade.

Nascida em Inajá, no sertão de Pernambuco, a cientista social e militante do movimento sindical defende investimento em políticas públicas e na indústria.

Ela já disputou a eleição para diferentes cargos, mas nunca foi eleita. As candidaturas mais recentes foram à Presidência, em 2022 e 2018, e à Prefeitura de São Paulo, em 2020. Em nenhum dos casos chegou a ter 0,1% dos votos válidos.

Haddad, por sua vez, é criticado pela formação da chamada frente ampla, o que para ela também vai de encontro aos interesses da direita e não representa uma forma diferente de fazer política, assim como pela condução do Ministério da Fazenda.

“Ele é o principal responsável pelo carro-chefe da política econômica do governo Lula, com o arcabouço fiscal, que privilegia os interesses dos grandes empresários, do agronegócio, dos bancos, em detrimento das necessidades da classe trabalhadora”, diz.

Vivian Mendes, 45, critica as privatizações feitas por Tarcísio e diz que o governo não tem feito o enfrentamento à violência contra as mulheres. Por outro lado, afirma que as propostas feitas pelo PT só atendem aos interesses de ricos e patrões.

“A candidatura de Haddad não tem respostas para dar para o nosso povo”, diz.

De Guaianazes, na zona leste de São Paulo, filha de pais operários, Vivian é formada em comunicação, criou o movimento de mulheres Olga Benário e foi uma das fundadoras do partido UP (União Popular), que tem como pautas o fim da escala 6×1, saúde e educação públicas e o enfrentamento à violência e ao feminicídio no estado. Em 2022, ela disputou as eleições ao Senado.

A pré-candidata atribui o desempenho nas pesquisas ao governo de São Paulo ao crescimento do próprio partido, a legenda mais nova à esquerda, e à pré-candidatura à Presidência de Samara Martins, que registrou 2% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 20 de junho.

O pré-candidato do PCB, Carlos Machado, 41, diz que existe um descontentamento tanto com o bolsonarismo quanto com o petismo por parte da população.

“O petismo prometeu entregar diversas mudanças que não aconteceram. A gente vem agora com uma pauta para poder retomar essas mudanças estruturais”, afirma,

Professor de história, ele se filiou ao PCB em 2022. Em 2024, foi candidato a vice-prefeito em Franca e trabalhava até meados de junho para disputar o Senado, quando foi designado pelo partido para entrar na disputa ao governo do Estado. Entre as propostas, defende a retomada das concessões das rodovias.

“Já temos um trabalho de base com várias organizações populares e vamos fazer nossa campanha na base da militância”, diz.

Folha de São Paulo

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