inscrições de presos por certificação escolar crescem 1.329%

Dados da Polícia Penal de Goiás revelam que as inscrições de detentos no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (Encceja PPL) cresceram 1.329% em relação a 2017, primeira aplicação da modalidade no Estado. Os números foram revelados nesta quarta-feira (15).
Segundo informado, foram 7.734 inscrições neste ano, o maior volume desde o início da série: foram 541 em 2017. Já em relação a 2024, o crescimento foi de 35,2%. À época, 5.719 custodiados participaram do exame.
Com o exame, o detento que não concluiu os ensinos Fundamental e Médio pode ter acesso à certificação. A participação é voluntária e não tem custo. Aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), este ano o Encceja PPL será realizado entre 23 e 27 de novembro. A divulgação dos resultados ocorrerá em 10 de fevereiro de 2027.
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Desde 2002, o Inep realiza o Encceja. Ele avalia competências, habilidades e conhecimentos adquiridos tanto no ambiente escolar quanto por meio de experiências de vida e de trabalho. Nesta modalidade para pessoas privadas de liberdade, ele é aplicado em unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos órgãos responsáveis pela administração penal e pela educação.
Interesse por educação
De fato, os detentos de Goiás têm demonstrado um interesse crescente pela educação. Vale destacar que, em 2025, mais de 5,5 mil reeducandos e reeducandas do Estado se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio para adultos privados de liberdade (Enem PPL).
O número representou um aumento de 75% em relação ao ano anterior (3.184). Entre 2019 e 2025, o avanço foi de 1.085%. “Esse aumento exponencial reflete o forte compromisso da instituição com o ensino dos privados de liberdade. A educação, sem dúvida, é um dos grandes pilares da reintegração social”, disse o diretor-geral Josimar Pires, à época.

Doutorado no presídio
No ano passado, um reeducando da Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), no Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia, defendeu uma tese de doutorado de forma online, um feito inédito no Estado. “Fui aprovado”, comentou ao Mais Goiás, satisfeito com o resultado dos estudos e também com o apoio que recebeu da Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP) de Goiás.
Graduado em Design Gráfico e mestre em Cultura Visual, ambos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ele começou o doutorado em 2020, mas foi preso por crimes sexuais em agosto de 2024. Durante o cárcere, ele imaginou que sua tese, que abrange as áreas de artes visuais, computação e museologia e também deficiência visual, não iria adiante. Contudo, ele teve apoio da instituição de ensino, por meio de seu coordenador, e da DGPP.
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