Carta ao Leitor: Corrida acirrada

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A atual corrida ao Palácio do Planalto tem treze pré-candidatos, mas parece cada vez mais se resumir a uma disputa entre dois nomes. Há alguns meses, Lula e Flávio Bolsonaro vêm liderando com folga as pesquisas. Nas simulações de segundo turno, o petista aparece com vantagem, mas não muito distante do adversário. Alguns levantamentos, inclusive, apontam empate técnico. Os demais postulantes ainda tentam furar essa bolha da polarização. Nos últimos dias, o ex-governador Ronaldo Caiado, que tem como vice Gilberto Kassab, presidente do PSD, aumentou o tom de críticas a Flávio. Outro nome da direita, Renan Santos, do Missão, não perde a oportunidade de atacar o filho de Bolsonaro e o atual presidente, que concorre à reeleição. A pouco mais de oitenta dias para as eleições, no entanto, salvo alguma grande surpresa, nada hoje parece capaz de impedir que o atual quadro se altere. Cada sondagem vai confirmando previsões de alguns especialistas de que a campanha seguirá sem sobressaltos, até o desfecho do embate entre Flávio e Lula no segundo turno.

Duas reportagens especiais nesta edição analisam os principais dilemas que preocupam essas campanhas no momento. Em uma das matérias, há uma análise sobre as muitas confusões em torno de Flávio. Fazem parte dessa relação o envolvimento dele no escândalo do Master, via financiamento do filme Dark Horse, o rompimento com Michelle Bolsonaro e as sérias divergências dentro do partido dele, o PL, sobre alianças e estratégias de comunicação. Na segunda-feira 13, outra encrenca considerável surgiu no horizonte: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu por noventa dias visitas do candidato ao pai dele, depois que o Zero Um divulgou nas redes uma carta de Jair Bolsonaro pedindo união da direita. A caminhada de Lula rumo à reeleição não enfrenta tantas turbulências, mas não está livre de desafios, conforme mostra reportagem da edição. O Nordeste, região em que sempre contou com largo favoritismo, parece não estar inclinado a lhe dar a mesma quantidade de votos. Em uma corrida acirrada, esse tipo de situação pode complicar as pretensões do petista. O presidente também ainda não conseguiu abrir vantagem confortável sobre o principal adversário, mesmo apelando para um forte pacote de medidas eleitoreiras, como a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 000 reais por mês. A vitória em outubro tende a ocorrer por margem apertada, dado o equilíbrio entre as duas forças que vêm mantendo o favoritismo. Por isso, qualquer erro pode ser decisivo na reta final.
Publicado em VEJA de 17 de julho de 2026, edição nº 3004
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