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Lamine Yamal é quem mais pode se aproximar de Messi, afirma jornalista que os acompanhou no Barcelona

A consagração máxima de um dos maiores jogadores da história do futebol ou o primeiro título mundial de quem desponta como um dos principais nomes da nova geração.

A final da Copa do Mundo deste domingo (19) entre Argentina e Espanha coloca frente a frente Lionel Messi e Lamine Yamal, dois atletas cujas trajetórias começaram em momentos diferentes, mas têm um elo em comum: La Masia, a tradicional academia de formação do Barcelona.

Coincidentemente, essa também será a primeira vez em que estarão juntos em campo.

Messi chegou ao clube catalão aos 13 anos, depois de iniciar a carreira no Newell’s Old Boys. Lamine vestiu a camisa do Barcelona pela primeira vez aos 7 anos e permaneceu nove temporadas nas categorias de base.

Para Jaume Marcet, que acompanhou os dois desde crianças, essa diferença ajuda a explicar o perfil de cada um. Ele trabalhou de 2000 a 2023 na Barça TV e se especializou na cobertura das categorias de base do clube.

Na avaliação do jornalista, Messi desembarcou na Espanha já com características que não foram desenvolvidas na base catalã.

“Já era um jogador com um talento extraordinário. Era muito rápido, tecnicamente brilhante, grande driblador, muito bom passador e muito bom goleador. Isso era inato. Nenhum treinador da base do Barça ensinou isso a ele”, afirmou Marcet, que hoje escreve para o diário Sport e apresenta o programa ADN Masia, dedicado ao futebol de formação do Barcelona.

O jornalista afirma que o clube teve outro papel no desenvolvimento do argentino.

“Ele aprendeu o jogo de posição, o estilo do Barça e a combinar com os companheiros. É verdade que, nos primeiros anos, era mais individualista, mas houve uma evolução muito importante.”

Marcet também destaca que Messi viveu um processo de adaptação diferente do espanhol.

“Messi é um argentino que se adapta futebolisticamente muito bem ao Barça, mas, no aspecto pessoal, vive sempre em um ambiente familiar. Ele não mora em La Masia. É 100% argentino.”

Com Lamine Yamal, segundo o jornalista, ocorreu o oposto. “Lamine é muito mais acadêmico que Messi. Passou nove temporadas no futebol de base do Barça.”

Para explicar essa característica, Marcet recorre ao bairro onde o atacante cresceu.

“Lamine é uma mistura perfeita de jogador de rua, porque jogava nas ruas de Rocafonda, e de um jogador muito acadêmico. É um jogador feito no estilo Barça, entende o jogo, procura sempre o homem livre, tem muita visão de jogo e leva a partida na cabeça.”

A formação dos dois também seguiu caminhos diferentes dentro de campo. Enquanto Messi atuou durante praticamente toda a base como meia-atacante, Lamine passou boa parte das categorias inferiores como centroavante, antes de ser deslocado para a ponta direita.

“Quem o conhece tem a teoria de que, no fim, ele vai acabar sendo um centroavante ou um falso 9.”

Para Marcet, as diferenças de formação não impedem que os dois ocupem o mesmo lugar na história da principal fábrica de jogadores do Barcelona.

“Na base do Barça se formaram grandes jogadores, como Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Sergio Busquets, Gerard Piqué, Pep Guardiola, Jordi Alba, Carles Puyol, Thiago Alcântara e Cesc Fàbregas. Mas os dois grandes gênios são Lamine Yamal e Leo Messi. É muito marcante que dois jogadores desse nível tenham crescido na mesma academia.”

Questionado sobre a possibilidade de Lamine Yamal poder chegar a um nível de futebol próximo ao apresentado por Lionel Messi, Marcet não titubeia.

“Honestamente, acho que não. Talvez seja quem mais se aproxime, mas acho que Messi é inalcançável.”

Marcet afirma que a diferença entre os dois está em características que marcaram toda a carreira do argentino.

“Messi era capaz de passar por quatro ou cinco jogadores. Lamine pode fazer isso em alguma ocasião, mas não tem a mesma mudança de ritmo. Messi teve uma dedicação de 100% ao futebol. Vamos ver. Lamine acabou de completar 19 anos.”

Fora de campo, o jornalista vê personalidades distintas. Segundo ele, Lamine se tornou mais extrovertido com o passar dos anos, enquanto Messi manteve durante muito tempo um perfil reservado.

“Messi sempre foi extremamente tímido. Os companheiros diziam que ele praticamente não falava. Era preciso insistir para arrancar algumas palavras dele. Lamine, sobretudo nestes últimos anos, é mais extrovertido, mais atrevido. Mas durante alguns anos, quando morava em La Masia e nos primeiros anos na base, era mais tímido, mais retraído. Com a adolescência, ganhou um caráter um pouco mais decidido. Hoje já não parece um garoto tímido”, analisa.

Ao pisarem em campo, tanto Lamine Yamal quanto Lionel Messi já entram para a história. O espanhol será o terceiro jogador mais jovem a disputar uma final de Copa do Mundo, enquanto o argentino é o segundo a atuar em três decisões do torneio.

A bola rola às 16h (de Brasília), em Nova Jersey.


Esporte / Folha de São Paulo

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