Política

Guerra de facções na CBF tem demissões e novas denúncias de gastos irregulares de Samir Xaud

Mergulhada numa guerra de facções que se agravou desde que o sonho do hexa naufragou em águas norueguesas, a CBF está no centro de uma crise que mistura disputa de poder e acusações de gestão irregular dos recursos da entidade.

Recentemente, uma série de vazamentos de documentos da CBF expôs a existência de uma espécie de contabilidade paralela na entidade, destinada a financiar viagens e estadias luxuosas de parentes e amigas de Samir Xaud. As revelações começaram ainda durante a Copa do Mundo. E continuam.

Nesta semana, o Radar teve acesso a um novo lote de guias de faturamento, bilhetes de passagens aéreas e reservas de hotéis que indicam o uso da presidência da CBF para custear despesas de viagem de uma amiga de Xaud, a empresária Camila Andrade, e de dois familiares dele, o filho Gabriel Xaud e a irmã Samara Xaud.

Somadas, as despesas registradas nos arquivos da presidência da CBF chegam a quase 50.000 reais e se dividem nas seguintes ordens de serviço registradas em nome da entidade:

FILHO

Passagens de Gabriel Xaud para a Coréia do Sul, em outubro do ano passado, quando o Brasil disputou um amistoso com a seleção do país, ao custo de 20.000 reais.

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Passagens para os Estados Unidos, em março deste ano, ao custo de 7.500 reais.

IRMÃ

Passagens de Samara Xaud de Boa Vista a Guarulhos, em junho, no valor de 4.000 reais.

AMIGA

Estadia da empresária fitness e influenciadora Camila Andrade no hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro, em setembro do ano passado, ao custo de 18.000 reais.

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Posicionamento

Procurado pelo Radar, o presidente da CBF apresentou uma versão confusa para negar que os gastos tenham sido pagos pela entidade. Ele garante que financiou do bolso as passagens e diárias de hotel em questão, mas não soube explicar porque as despesas, que seriam pessoais, estão registradas como gastos formais da CBF, misturando-se ao caixa da entidade.

Nos casos obtidos pelo Radar, as ordens de serviço registram a CBF como empresa responsável pela despesa, o “gabinete da presidência” como solicitante das passagens e diárias e a “presidência” como central de custo responsável pelas despesas.

Instado a fornecer os documentos que comprovariam esses pagamentos, ele se recusou a repassar as notas para livre checagem da reportagem, mas se ofereceu para mostrar pessoalmente faturas de cartões de crédito e ordens de serviço que comprovariam que ele realiza, de fato, pagamentos para a agência.

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Na quarta-feira, enquanto Xaud mostrava documentos ao Radar, notícias saídas da CBF davam conta de que dois funcionários da entidade haviam sido demitidos na esteira de uma suposta investigação sobre vazamentos de gastos do presidente da entidade – justamente o objeto da reportagem em questão.

Os extratos e recibos apresentados por Xaud somam 252.000 reais e são referentes a pagamentos feitos entre outubro do ano passado e junho deste ano. Nenhum deles guarda relação direta com as guias das viagens em questão.

Xaud admite que, em alguns casos, a entidade banca mesmo as viagens de acompanhantes dele. Segundo o presidente da CBF, ele tem direito a viajar com um acompanhante para eventos institucionais. Quando decide levar mais companhias, os gastos são custeados do próprio bolso. Segundo ele, a mesma agência que tem contrato com a CBF é contratada por ele pela facilidade de acesso e para garantir que os convidados sejam alocados nos mesmos voos e hotéis.

O dirigente também apresentou ordens de serviço da agência, relacionadas a outras despesas, como exemplo de que ele paga a agência. No campo “centro de custo”, as viagens de sua cota pessoal estão creditadas ao nome dele e não à presidência da CBF, como seria padrão para gastos que oneram a entidade – exatamente como os documentos obtidos pelo Radar. Os documentos foram preservados para garantir que as fontes da reportagem não sofram retaliações.

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