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Quitéria Chagas reencontra no Brasil o caminho para recomeçar: ‘É uma história bem forte’

Algumas voltas exigem mais do que atravessar fronteiras. Exigem reencontrar o próprio lugar no mundo. Foi assim para Quitéria Chagas (45). Após viver na Itália e enfrentar a perda do marido em 2023, a atriz e rainha de bateria decidiu regressar ao Brasil no mesmo ano. Aqui foi onde encontrou não apenas as raízes que nunca deixou para trás, mas também o acolhimento necessário para reconstruir a própria história.

Aos poucos, a dor abriu espaço para novos projetos. A maternidade vivida de outra forma e para o desejo de voltar aos palcos, este é um reencontro também consigo mesma.

Foi nesse reencontro com o Brasil que Quitéria encontrou forças para iniciar uma nova fase. Em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, a famosa relembra o processo de reconstrução após a perda do marido e celebra o momento de recomeço que vive ao lado da filha.

“Eu voltei em 2023 para o Brasil, após o luto do meu marido. [Estou] ressuscitando aos poucos. Naquele momento, eu estava me sentindo morta, e no Brasil, no meu país, minhas raízes, é onde eu me reconecto, recebi acolhimento”, declara.

Quitéria Chagas – Foto: Dani Badaró/ Divulgação

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Muito além da coroa

É quase impossível falar de Carnaval sem mencionar Quitéria Chagas. Depois de 26 anos na festividade, a celebridade olha para a avenida com a experiência de quem ajudou a transformar a própria história da folia. Ao longo da trajetória, a artista acompanhou mudanças importantes na valorização da função.

Mais do que ocupar um lugar de destaque, Quitéria entende que sua permanência representa um passo importante para quem veio depois. “Eu sou a única mulher negra que está há muito tempo em exercício na posição de rainha. Isso é um feito raro, não é fácil manter a posição”, celebra.

Quitéria Chagas vê a trajetória na festividade como uma conquista coletiva e o reconhecimento de profissionais que fizeram do Carnaval uma extensão de suas vidas: “Manter o cargo de rainha não é uma questão egóica, é uma questão de representatividade. Eu já luto há muitos anos pela valorização dessa função e profissionalizar. Já está acontecendo, na medida do possível”, diz.

Quitéria Chagas - Foto: Dani Badaró/ Divulgação
Quitéria Chagas – Foto: Dani Badaró/ Divulgação

Abaixo, confira trechos editados da entrevista de Quitéria Chagas à CARAS Brasil.


Como define este momento de retorno ao Brasil após mais de dois anos?

– Aqui, eu tenho função de trabalhar. Na Itália, quando você fica viúva perde essa função, a mulher não tem acesso ao mercado de trabalho, principalmente sendo brasileira. Aqui a gente se sente útil também. Eu retornei aos meus envolvimentos profissionais no meio artístico com mais intensidade, como a rainha de bateria do Império Serrano.

E na questão da atuação?

– Me empenhando nos estudos de artes cênicas, eu já sou formada, sou atriz, fiz novelas. Eu morei fora e não pude continuar a atuar. E agora eu estou me preparando para retomar. E isso é muito importante para mim.

Como descreveria essa nova fase desde a sua volta ao país?

– Um momento também onde minha filha pôde esquecer um pouco dessa questão do luto. Lembrar do pai com uma boa lembrança e não ficar lembrando da dor, do trauma. Nem ela, nem eu. É a gente conseguir reiniciar a vida. Essa é a questão. O luto é uma coisa eterna, a lembrança do continua, mas a gente ressignifica e tenta saber lidar com isso, viver com isso.

Existe desejo de retorno à Europa?

– Eu sou cidadã europeia, mesmo morando no Brasil eu não deixo de estar na Europa, mesmo à distância. Eu tenho casa lá, tenho coisas lá que vão continuar à vida inteira. Não é que eu me desliguei, não tem como, é impossível. Estou aqui corpo presente, não estou lá, não pretendo morar lá de volta. Tem prós e contras em tudo quanto é país. Gosto da cultura, acho lindo, posso voltar só para passear, mas morar não pretendo. A minha solidez, minha concretude está no Brasil mesmo. Que é que eu posso trabalhar, posso atuar. Tem essa valorização do meu trabalho. Eu estou bem aqui no meu país.

Como define esta fase de vida?

– Este ano eu completo 46 anos, ano que vem 27 anos de Carnaval. É uma história bem forte, densa. A idade traz mais sabedoria, mais consciência de muitas coisas da vida. Para mim está sendo importante essa fase de passar de anos mantendo também, obviamente, a questão física, forma, saúde, beleza, estética, porque isso é uma coisa que me dá prazer, não tem pressão de nada. Eu estou muito consciente do que eu quero, o que eu não quero.

Quitéria Chagas - Foto: Dani Badaró/ Divulgação
Quitéria Chagas – Foto: Dani Badaró/ Divulgação

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