Política

Fala golpista e lamaçal no Rio não ajudam Flávio Bolsonaro

A conversa de Flávio Bolsonaro com diplomatas, na qual repete mentiras de seu pai para questionar as urnas eletrônicas e as eleições no Brasil, não pode deixar de ser vista em sua dimensão golpista. O senador, que já havia perdido o entusiasmo de setores da direita democrática, deu mais um passo para despertar desconfianças sobre sua candidatura. Não por acaso, vemos direitistas empurrando suas fichas para 2030.

Além do pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro (que será investigado pela PF), das relações com a Casa Branca e dos atritos com a madrasta Michelle, que geraram problemas com parte do eleitorado feminino e evangélico, a situação de Flávio não é favorecida pelo quadro de contaminação da política do Rio pelo crime organizado.

Até o momento, as apurações da Polícia Federal e do Ministério Público não mencionaram o pré-candidato, mas seus laços com os investigados são conhecidos e politicamente relevantes.

No centro da cena está o ex-governador Cláudio Castro, que renunciou para se livrar de uma cassação e é alvo de operações para apurar benefícios concedidos ao grupo Refit e aplicações bilionárias de recursos do Rioprevidência em fundos ligados ao Master.

Durante seu governo, Castro teve em Flávio um aliado. A relação entre os dois acabou naturalmente por submergir, mas isso não altera o fato de que compartilharam, por anos, pelo menos o mesmo projeto de poder.

As investigações no estado que é o berço do bolsonarismo também alcançaram integrantes do grupo mais amplo que deu sustentação ao governador. Rodrigo Bacellar (União Brasil), por exemplo, ex-presidente da Assembleia Legislativa, foi afastado do cargo sob suspeita de ligações com o Comando Vermelho.

Outro personagem citado nas investigações é Vinícius Sarciá Rocha, ex-presidente do Conselho da AgeRio, e considerado um dos homens de confiança de Castro. Segundo a PF, ele atuaria como operador financeiro em esquemas de fraudes e propinas.

Na área da segurança pública, as apurações também seguiram indícios de lavagem de dinheiro envolvendo redes de postos de combustíveis e agentes públicos. Entre os alvos figuram o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Amin, ex-secretário de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ.

Canella contava com o apoio de Flávio para disputar o Senado, em companhia da mãe do 01, a ex-mulher de Jair, como suplente. Quanto a Amin, ocupou posições importantes com sustentação do bolsonarismo.

O grupo tenta preservar influência com o deputado Douglas Ruas (PL), que sucedeu Bacellar na Alerj e vai disputar a corrida para o Palácio Guanabara.

O fato, porém, é que quanto mais as investigações avançam sobre o lamaçal político do estado, maior tende a ser o desgaste de Flávio. Para completar, ainda na esfera criminal, não é demais lembrar laços da família Bolsonaro com milicianos.

Flávio já homenageou o ex-capitão Adriano da Nóbrega, um dos chefes do Escritório do Crime, com a medalha Tiradentes. E Fabrício Queiroz era seu assessor no caso das “rachadinhas”.

Em 2008, quando as milícias avançavam sobre o estado, o então deputado federal Jair Bolsonaro declarou à BBC que “o governo deveria apoiá-las e, talvez, no futuro, deveria legalizá-las”.


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Folha de São Paulo

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