Seis enigmas eleitorais que ainda precisam ser desvendados em meio às convenções

O período das convenções partidárias já começou, mas algumas das decisões mais importantes para as eleições deste ano ainda não foram tomadas – ou publicizadas. Durante essas assembleias, as legendas definem quem serão seus candidatos e a quais outras siglas estarão aliadas, mas por enquanto, vices, apoios estratégicos e composições ao Senado seguem indefinidos em diferentes frentes.
Ainda há pouco menos de duas semanas até o prazo determinado pela Justiça Eleitoral, de 5 de agosto. As convenções das maiores legendas ainda não aconteceram, mas estão agendadas para datas próximas. A do PL acontece neste sábado, 25; a do PSD, no domingo, 26; a do Novo, no dia 27; a do PT, no dia 2; a do Republicanos, no dia 2 ou 3; e a da federação União Progressista, no último dia do cronograma.
Veja algumas das maiores incógnitas até o momento, que podem alterar o equilíbrio da corrida presidencial e de disputas estaduais importantes.
Quem será vice de Flávio Bolsonaro?
A campanha busca um nome capaz de ampliar o alcance eleitoral do senador, fora da base mais fiel do bolsonarismo, mas não conseguiu selar o apoio nacional de nenhum partido até o momento. Se não houver composição com outra legenda, ficam inviabilizados os nomes mais aventados para o posto, como o da deputada Simone Marquetto (PP-SP) e Daniella Marques (Republicanos). Nesta semana, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que a ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) recusou o cargo, e lideranças dentro do PP já dão a neutralidade do partido na esfera nacional como quase certa.
O Centrão vai embarcar na candidatura de Flávio?
Até o momento, o PL caminha sozinho com sua candidatura à Presidência. Se em 2022, Jair Bolsonaro obteve o apoio do PP e do Republicanos ainda no primeiro turno, seu primogênito ainda não conseguiu fazer o mesmo – e parece cada vez mais pouco provável que o faça. A neutralidade já é dada como certa dentro do PP, federado com o União Brasil, enquanto o Republicanos, que segue sendo a principal aposta do PL, já emitiu nota dizendo que há um “sentimento de frustração” dentro do partido com a candidatura de Flávio e que parte da base também prefere que a legenda permaneça neutra. Nesse caso, os diretórios estaduais teriam liberdade para apoiar quem for mais conveniente na disputa nacional.
Michelle Bolsonaro será candidata?
Bem posicionada nas pesquisas de intenção de voto até o momento, a ex-primeira-dama tem se mantido discreta após a publicação do vídeo em que acusou Flávio de tê-la maltratado. Depois de ter deixado a presidência do PL Mulher, ela tem se dedicado aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, e colocou sua candidatura em dúvida algumas vezes. Ela não deve participar presencialmente da convenção do PL neste sábado, 25, mas integrantes de sua equipe disseram que a decisão sobre a candidatura dela ainda pode ser tomada até a convenção distrital do partido, no dia 2 de agosto.
Quem será vice de Romeu Zema?
Assim como Flávio, o pré-candidato do Novo também ainda não tem companheiro de chapa definido. O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, disse que espera uma decisão em breve e que há conversas com o Podemos – também visado por Flávio – em andamento. Ribeiro também afirmou que a escolha pode ser anunciada até o dia 5, prazo final das convenções e depois da assembleia nacional do partido, marcada para o próximo dia 27.
Cleitinho vai disputar o governo de Minas?
Um dos estados mais estratégicos do tabuleiro eleitoral nacional, Minas Gerais segue com indefinições na disputa pelo governo. Líder nas pesquisas, o senador Cleitinho ainda não confirmou se entrará na corrida. Enquanto ele não bate o martelo, o PL também evita anunciar quem apoiará no estado – um palanque no segundo maior colégio eleitoral do país é tido como fundamental para a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Quem será o segundo nome na chapa da direita ao Senado no Rio?
A definição da chapa ao Senado no Rio de Janeiro também permanece cercada de incertezas. Depois da renúncia do ex-governador Cláudio Castro e de semanas de impasse, o PL escolheu o senador Carlos Portinho para uma das vagas. A outra seria ocupada pelo União Brasil, que pretendia lançar o ex-prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella. A prisão recente dele por posse ilegal de um fuzil, porém, embaralhou os planos. Embora tenha sido solto, Canella responde ao processo em liberdade, usa tornozeleira eletrônica e cumpre medidas cautelares, o que mantém em dúvida tanto a candidatura dele quanto a disposição do PL de manter a aliança.
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