O impacto das suspeitas sobre Marcola e Lulinha na campanha de Lula à reeleição

Um levantamento divulgado nesta terça-feira, 11, pelo Instituto Democracia em Xeque mostra que a abertura das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e o afastamento do ex-assessor do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, por suspeita de vínculos com os investigados no escândalo do INSS, são dois assuntos que ainda estão “difusos” no imaginário do eleitor.
Como consequência, o estudo mostra que eles não danificam a imagem do petista da mesma maneira que o escândalo do Banco Master arranha a de Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula nas urnas.
“Os casos Lulinha e Marcola reabrem suspeitas sobre Lula e seu entorno, mas não produzem, nesta rodada, dano equivalente ao do Master para Flávio. A razão não está na ausência de desconfiança, mas na diferença entre resposta institucional, no envolvimento direto e na biografia em crise”, diz trecho das conclusões do estudo.
A entidade trabalhou com dois grupos focais (um só de homens e outro de mulheres), compostos por pessoas que têm entre 30 e 50 anos, ensino médio completo e uma renda familiar que oscila entre três e sete salários mínimos. São pessoas que moram nas regiões metropolitanas das seguintes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Além disso, elas votaram em Jair Bolsonaro em 2018, em Lula em 2022 e ainda estão indecisas sobre o voto para outubro deste ano.
Apesar dessa aparente boa notícia para o presidente, o estudo aponta que esses dois casos — Lulinha e Marcola — são pontos de fragilidade importantes para ele. “Mesmo quando os participantes avaliam que os valores monetários mencionados parecem menores diante de escândalos como o do Banco Master, e mesmo quando não atribuem envolvimento direto ao presidente, cresce a cobrança para que Lula seja mais cuidadoso com a escolha de pessoas próximas e preserve sua linha clara de autonomia investigativa”, aponta o estudo.
Segundo o Democracia em Xeque, Lula cresce nesse segmento de eleitores indecisos quando “fala pouco, fala certo, preserva serenidade, defende autonomia da PF e evita transformar suspeitas familiares ou de entorno em espetáculo político”, onda que pode ser comprometida por qualquer sinal de que esteja tentando favorecer o filho ou alguma pessoa próxima. Os números altos de Flávio nas pesquisas de intenção de voto — empatado com Lula na margem de erro — são, principalmente, “porque o desejo de mudança permanece”, de acordo com as conclusões do estudo.
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