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Pessoas devem ser o início e o fim do uso de IA, dizem líderes no Arena Impacto



As infinitas possibilidades e transformações motivadas pela tecnologia, em particular a Inteligência Artificial (IA), podem desviar o foco de que o ponto de partida e a finalidade da inovação são as pessoas.

Este entendimento foi compartilhado por gestores dos setores de bebidas, educação e mobilidade durante o painel “Quem vai liderar a inovação”, do Arena Impacto, realizado nesta quinta-feira (3/9), em São Paulo.

Realizado por Globo Rural e Valor Econômico e apresentado pela Solinftec, o evento reuniu experiências da Ambev, Ânima Educação e GWM Brasil para discutir aplicações e resultados concretos da adoção de IA e possíveis paralelos com o agronegócio.
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Paula Harraca, CEO do Ânima Educação, defendeu, por exemplo, que a IA é um meio e que será preciso definir “o que não queremos que ela faça”. “Inovar não é usar tecnologia, mas sim gerar inteligência coletiva e potencializar o que é profundamente humano. Já que a IA tem muitas respostas, será preciso saber perguntar cada vez melhor”, argumentou.

Para Daniela Cachich, presidente da Beyond, divisão da Ambev responsável pelo portfólio de bebidas não alcoólicas e alcoólicas não cervejeiras, a adoção da IA deve partir das necessidades de consumidores e clientes.

“Se a gente olhar as duas pontas, é muito difícil que não dê certo. A tecnologia ampliou a capacidade das pessoas e das empresas de identificar mudanças de comportamento e responder a elas com maior rapidez”, atestou.
Na indústria automotiva, Ricardo Bastos, diretor de Relações Institucionais da GWM Brasil e presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), também relacionou a adoção de inovação às demandas dos clientes.

“Os usuários demandam a eletrificação inicialmente por razões ambientais e econômicas, bem como veículos capazes de incorporar novas funções e tecnologias”, disse.
Segundo Bastos, a estratégia da GWM é diferenciar o automóvel em um mercado no qual o produto corre o risco de se tornar uma commodity.

IA aplicada
Paula detalhou que uma das aplicações de IA no Grupo Ânima é a IARA, ferramenta de inteligência artificial voltada à reinterpretação da aprendizagem. Segundo ela, a tecnologia busca apoiar e qualificar a relação entre professores e alunos, em vez de substituí-la.

O uso da IA ocorre em um processo mais amplo de aproximação entre teoria e prática adotado pelo grupo em suas instituições a fim de aumentar a disponibilidade dos docentes para o relacionamento com os alunos.

Na Ambev, por sua vez, a IA já está sendo incorporada a diferentes áreas da operação. Daniela citou aplicações em logística, treinamento de funcionários e desenvolvimento de produtos. Mais de 500 pessoas passaram por capacitações relacionadas à tecnologia, enquanto a liderança da companhia participou de mais de 80 sessões sobre o tema.

A empresa também começou a utilizar personas sintéticas para testar produtos e conceitos. A ferramenta permite simular perfis de consumidores durante etapas do processo de inovação e acelerar avaliações que antes dependiam exclusivamente de pesquisas convencionais.

“Usar IA não é substituir pessoas, pelo contrário, aumenta seus potenciais, o que gera valor tangível”, afirmou.
Para ela, o desafio é retirar profissionais de tarefas repetitivas e direcionar a tecnologia para atividades capazes de gerar valor.

A adoção, acrescentou, precisa ocorrer de maneira transversal. “Se a companhia como um todo não olhar para a IA, é muito difícil avançar só uma pessoa.”

Na GWM, a inteligência artificial está presente tanto na fábrica quanto no desenvolvimento dos veículos. Bastos afirmou que a tecnologia é utilizada na linha de montagem e em processos relacionados a desempenho, calibração, comportamento do veículo em diferentes condições de rodagem e integração entre sistemas elétricos e de combustão.

O executivo comparou o atual ciclo de desenvolvimento com o que encontrava na indústria automobilística no início de sua carreira. Um veículo que antes podia levar pelo menos seis anos entre a concepção e o lançamento pode atualmente ser desenvolvido em dois ou três anos, segundo Bastos.

Apesar dos avanços, Bastos avaliou que a indústria ainda está “engatinhando” no aproveitamento das possibilidades da tecnologia.

Geração de valor
Na Ambev, os números ajudam a dimensionar o peso da inovação no negócio. A Beyond fatura cerca de US$ 2 bilhões anuais, dos quais aproximadamente 30% vêm de produtos lançados nos últimos cinco anos.

Segundo Daniela, os refrigerantes zero já representam cerca de 30% do mercado da categoria no Brasil, enquanto as bebidas com proteína, fibras e outras características especiais estão entre os segmentos de maior crescimento.

A outra frente é a relação com os clientes. A Ambev atende cerca de 1,2 milhão de pontos de venda, dos quais aproximadamente 90% utilizam a plataforma digital BEES. A executiva resumiu a estratégia como a combinação entre criar demanda e ter capacidade para atendê-la.

Para Paula, do Ânima, o avanço da IA também abre espaço para características que podem favorecer empresas e profissionais brasileiros.
“A criatividade é uma vantagem do Brasil, desde que acompanhada pela capacidade de organização e pela compreensão dos problemas concretos de cada setor”, avaliou.
No agronegócio, exemplificou, isso significa ouvir os agentes da cadeia para identificar suas dificuldades antes de desenvolver soluções. “Fomos a campo para entender as necessidades e, a partir daí, construir soluções educacionais para o setor”, revelou.


Globo Rural

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