Entretenimento

Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos

O escritor Jorge Amado (1912–2001), um dos nomes mais importantes da literatura brasileira, viveu por cerca de 40 anos em uma residência no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia. O imóvel, compartilhado com sua esposa, a também escritora Zélia Gattai (1916–2008), tornou-se um importante ponto de encontro de artistas e intelectuais. A propriedade foi apresentada em uma reportagem do programa Casa Brasileira, do canal Casa GNT, em 2020, conduzida por Paloma Amado, filha do casal.

A residência foi adquirida em 1963. Ao longo das décadas, o espaço reuniu lembranças familiares, obras de arte e objetos trazidos de diferentes partes do mundo.

A casa também ficou conhecida por receber convidados ilustres. Entre as personalidades que passaram pelo imóvel estão o poeta chileno Pablo Neruda, os filósofos franceses Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, além de Vinicius de Moraes, João Gilberto e do cineasta Glauber Rocha. A ialorixá Mãe Senhora, do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, também esteve entre as figuras ligadas à história da residência.

Uma das tradições mais marcantes acontecia em 2 de fevereiro, durante a Festa de Iemanjá, celebrada no bairro do Rio Vermelho. Na ocasião, Jorge Amado e Zélia Gattai abriam as portas da propriedade desde as 7h da manhã para receber amigos, devotos e visitantes. Segundo as lembranças compartilhadas por Paloma, a movimentação era intensa, com grande quantidade de comida e bebida oferecida aos convidados.

Durante o período da ditadura militar brasileira, a residência também serviu como espaço de convivência e encontro para jovens e representantes do meio cultural de Salvador, reforçando sua importância para além da vida particular dos escritores.

Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos – Foto: Reprodução/YouTube/Casa GNT
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos – Foto: Reprodução/YouTube/Casa GNT
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos – Foto: Reprodução/YouTube/Casa GNT
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos
Jorge Amado viveu por 40 anos em refúgio com 15 ambientes e visitas de famosos – Foto: Reprodução/YouTube/Casa GNT

Refúgio de Jorge Amado foi transformado em memorial com 15 ambientes

Após a morte de Jorge Amado, em 2001, e de Zélia Gattai, em 2008, a propriedade passou por um processo de restauração e foi transformada no memorial A Casa do Rio Vermelho – Jorge Amado e Zélia Gattai, aberto ao público em 2014.

O projeto expográfico e cenográfico foi desenvolvido pelo artista Gringo Cardia, que organizou a trajetória dos escritores em 15 ambientes temáticos. A proposta foi preservar a atmosfera da antiga residência e apresentar ao público objetos e registros ligados à vida do casal.

Carreira de Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na Bahia, e se tornou um dos escritores brasileiros mais reconhecidos internacionalmente. Iniciou sua trajetória literária ainda jovem e publicou seu primeiro romance, O País do Carnaval, em 1931. Ao longo da carreira, escreveu obras que retrataram a cultura, os costumes, as desigualdades sociais e as tradições do povo brasileiro, especialmente da Bahia.

Entre seus principais livros estão Capitães da Areia (1937), Gabriela, Cravo e Canela (1958), Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966) e Tieta do Agreste (1977). Diversas histórias foram adaptadas para a televisão e o cinema, ampliando a popularidade de seus personagens. O escritor também integrou a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 23 a partir de 1961, e recebeu o Prêmio Camões em 1995, uma das principais distinções da literatura em língua portuguesa.

Além da literatura, Jorge Amado teve participação na política brasileira. Foi eleito deputado federal em 1945 e participou da Assembleia Constituinte de 1946. O autor morreu em 6 de agosto de 2001, aos 88 anos, em Salvador, deixando um legado literário reconhecido dentro e fora do país.



Caras

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo