A escala 5×2 é eleitoreira

Muita gente, inclusive Flávio Bolsonaro, classificou a escala 5×2 de “eleitoreira”. Têm razão. Se a emancipação de Abraham Lincoln (1863), sendo eleitoreira, fosse do desagrado dos cidadãos brancos, ele não teria sido reeleito em 1864.
Na campanha de seu adversário, o banqueiro August Belmont, agente dos Rothschilds nos Estados Unidos, chamou a emancipação de “uma política fatal de confisco e emancipação forçada”.
Lincoln prevaleceu no voto e pelas armas.
No Brasil, 30 anos depois, os abolicionistas eram chamados de filantropos, os escravizados abandonavam as fazendas. A história da abolição é contada com foco nos vitoriosos, mas, para ilustrar conquistas sociais vindouras, convém ouvir os argumentos e as queixas dos ultrapassados.
Fala o Barão de Cotegipe: “Para que lei de abolição? De fato está feita –e revolucionariamente. Os proprietários aterrados procuram conter o êxodo –dando liberdade imediata aos seus escravos. Eis o segredo de tantas libertações.
O que resultará desta balbúrdia?
A crise será medonha, e a Monarquia perde terreno, porque a classe conservadora desaparece.” (8 de abril de 1888)
“A verdade é que há de haver uma perturbação enorme no país durante muitos anos, o que não verei, talvez, mas aqueles a quem Deus conceder mais vida, ou que forem mais moços, presenciarão. Se me engano, lavrem, lavrem na minha sepultura este epitáfio: ‘O chamado no século Barão de Cotegipe, João Maurício Wanderley, era um visionário!'” (12 de maio de 1888, véspera da Abolição.)
O Barão morreu em 1889 e seu túmulo está no cemitério São João, sem esse qualificativo, até porque a crise “medonha” não veio e o conservadorismo nacional está aí até hoje, chamando de “eleitoreira” a jornada de oito horas, as restrições ao trabalho infantil e o 13º salário.
Escrita antiga
Lula disse na sua entrevista à repórter Renata Lo Prete que reajustou o valor do Bolsa Família de R$ 675 para cerca de R$ 777 em cima da eleição, ao saber que ele estava congelado há 42 meses.
Conta outra doutor.
Lula não sabia. Fernando Haddad não soube e o ministro do Combate à Fome não se fez ouvir.
Tarifa zero
Há mais de um ano, o dono de dezenas de companhias de ônibus de uma grande capital defendia a instituição da tarifa zero no transporte público.
Na outra ponta da conversa estava o tamanho do subsídio, livre de uma rigorosa auditoria do poder municipal, estadual ou federal. Essa não prosperava.
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Folha de São Paulo



