Braço direito de Messi é espanhol, disputou La Liga, já trabalhou na seleção brasileira e é pai de parça de Neymar; conheça Pepe Costa

Não é um argentino, mas um espanhol, o fiel escudeiro de Lionel Messi.
Braço direito, sombra, procurador, babá, faz-tudo, melhor amigo, protetor, anjo da guarda, segundo pai: todos esses termos já foram usados para descrever Josep Costa Moix, ou simplesmente Pepe Costa, e todos se encaixam no papel que ele cumpre ao lado do artilheiro deste Mundial.
Ex-zagueiro das divisões de base do Barcelona, mas que fez carreira profissional em clubes espanhóis mais modestos, Pepe Costa estará com o coração dividido neste domingo (19), quando a Argentina de seu protegido faz a final da Copa do Mundo contra a sua Espanha natal.
Nascido em Lérida, na Catalunha, Pepe Costa tem 65 anos.
pós deixar as categorias de base do Barça, o grandalhão de 1,90 m atuou profissionalmente primeiro no Andorra. No final dos anos 1980, chegou a disputar La Liga, a primeira divisão espanhola, primeiro pelo Sabadell (temporada 86/87), depois pelo Murcia (temporadas 87/88 e 88/89). Encerrou a carreira pelo Avilés ao fim da temporada 92/93.
Pepe Costa é possivelmente a pessoa com quem Messi passou mais tempo nos últimos anos.
A relação começou em 2003, quando o espanhol começou a coordenar a divisão de atendimento aos jogadores do Barcelona. Messi e ele se entenderam tão bem que ele passaria a auxiliar somente o camisa 10 argentino, dando assistência em questões burocráticas e pessoais e o acompanhando para toda parte.
Quando Messi viveu uma crise com o técnico Luis Enrique na temporada 2014/2015, circulou na imprensa espanhola a informação de que o argentino não falava diretamente com o treinador –o fazia por intermédio de Pepe.
O espanhol estava entre os convidados da festa de casamento de Messi com sua mulher, Antonella, em 2017, em Rosário, cidade natal do craque.
Pepe é parceiro frequente de Messi num dos passatempos favoritos do argentino, o padel. Numa entrevista em que aborda o assunto, Messi afirma: “Pepe joga bem. Eu corro e ele traz a qualidade”.
Na série documental “Matchday: FC Barcelona”, exibida pela Netflix, que acompanhou a equipe catalã na temporada 2018/2019, Pepe aparece batendo papo descontraidamente com Messi, Luis Suárez e Jordi Alba numa cozinha após um almoço.
Em 2021, depois de 17 temporadas no time azul-grená catalão, Messi foi para o Paris Saint-Germain, e Pepe Costa mudou-se com ele para a capital francesa.
Agora ambos vivem na Flórida, onde o argentino defende o Inter Miami desde 2023. Embora Pepe seja uma figura reservada, dos bastidores, é comum que ele apareça em fotos e vídeos dos momentos de lazer de Messi, seus familiares e amigos publicados em redes sociais.
Quem levou Pepe ao Barcelona foi Sandro Rossel, quando era vice-presidente do clube. Entre o final dos anos 90 e o começo dos anos 2000, os dois já tinham trabalhado juntos na Nike, cuidando da seleção brasileira, Rossel como executivo (diretor responsável pela CBF) e Costa como gerente de marketing.
Nas gestões dos técnicos Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari (e, entre os dois, na curtíssima passagem de Emerson Leão), ambos tinham contato direto com os jogadores e viajavam com a seleção para a maior parte dos jogos. Pepe era o encarregado de distribuir aos atletas o material esportivo da fornecedora.
A forte relação da família Costa com o Brasil ajudou a consolidar uma relação estreita entre Álvaro Costa, filho de Pepe, e Neymar, iniciada quando o brasileiro defendia o Barcelona, e que se estende até os dias de hoje.
Começou num modelo parecido com o que ocorre entre Pepe e Messi, mas se aprofundou a ponto de Álvaro ser citado como um dos “parças” do craque do Santos.
A reportagem tentou entrevistar Pepe Costa, sem sucesso. Ligou para o telefone celular do espanhol, ele não atendeu. Enviou mensagens pelo WhatsApp, mas ele não respondeu.
Esporte / Folha de São Paulo



