Com atraso, Apple inicia testes em recursos de IA na China – 04/11/2026 – IA

Pequim
|AFP
A Apple iniciou nesta quarta-feira (4) uma fase de testes de suas próprias ferramentas de inteligência artificial para usuários na China, em uma tentativa de alcançar as fabricantes locais de smartphones em um mercado importante para a empresa.
Os recursos integrados aos dispositivos, batizados de “Apple Intelligence”, foram lançados inicialmente nos EUA e em outros países no outono asiático de 2024 (primavera no Brasil), marcando a primeira grande investida da empresa em IA generativa.
No entanto, as rígidas exigências regulatórias da China para essa tecnologia em rápida evolução atrasaram seu lançamento no país —assim como o fato de que os modelos do Google e da OpenAI, usados pela Apple em outros mercados para ampliar seus próprios recursos de IA, não estão disponíveis em território chinês.

Clientes testam recursos do iPhone Duo em loja da Apple, em Xangai, na China
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Go Nakamura – 23.out.26/Reuters
A Apple, que em grande parte ficou fora da corrida global por investimentos em IA, anunciou que trabalhará com uma parceira chinesa —a Qwen, do Alibaba— para integrar recursos de IA mais avançados aos dispositivos, juntamente com suas próprias ferramentas básicas.
A fase de testes iniciada na quarta-feira está restrita a desenvolvedores, mas o acesso público aos serviços do Apple Intelligence na China começará em dezembro, informou a empresa em comunicado divulgado no fim de semana.
O tão aguardado lançamento do Apple Intelligence na China “preenche uma lacuna de longa data na oferta de IA da Apple”, afirmou Ivan Lam, analista sênior da Counterpoint Research.
No entanto, isso não necessariamente confere à empresa californiana “uma vantagem significativa” em um mercado concorrido, declarou Lam.
A versão inicial inclui 18 recursos de IA, desde tradução em tempo real de chamadas telefônicas até ferramentas para resumir e revisar mensagens, mas não contempla a atualização mais recente da assistente Siri, do iPhone.
“CONCESSÃO”
As normas chinesas exigem que os provedores de serviços de IA se registrem no órgão regulador da internet do país, além de determinarem o uso de data centers locais e o processamento doméstico das informações.
A Apple só obteve aprovação regulatória em julho, após ter mantido, segundo relatos, negociações com empresas chinesas de tecnologia, incluindo Alibaba, Baidu, ByteDance e Tencent, sobre parcerias para o Apple Intelligence.
Grandes empresas americanas de IA, entre elas Google, OpenAI e Anthropic, proibiram usuários chineses ou restringiram o acesso a seus serviços e dificilmente obterão autorização regulatória.
Trabalhar com parceiros locais no Apple Intelligence “representa uma concessão estrutural da Apple em relação ao seu poder de definir preços e moldar a experiência de IA no mercado chinês”, comentou Zhang Yi, fundador da empresa de pesquisas iiMedia.
Segundo ele, o atraso da Apple na introdução de ferramentas de IA na China não se deveu a defasagens em pesquisa e desenvolvimento, mas aos “custos de conformidade regulatória”.
Apesar de ter registrado um aumento de 21% na receita da região da Grande China, que inclui Hong Kong e Taiwan, no último trimestre, o novo CEO da Apple, John Ternus, ainda enfrenta desafios significativos em um mercado em transformação.
Segundo a empresa de pesquisas Omdia, mais de 110 milhões de iPhones na China são compatíveis com o Apple Intelligence, o que fornece uma base para uma rápida adoção —mas a concorrência é acirrada.
“As fabricantes chinesas de celulares e as empresas de internet estão desenvolvendo ativamente recursos de IA e ecossistemas de agentes”, disse Zhong Xiaolei, analista sênior da Omdia.
Folha de São Paulo>



