Começa a campanha eleitoral. O que candidatos à presidência prometem ao agro


A campanha eleitoral de 2026 começou, neste domingo (16/8). Responsável por quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, e com uma bancada bastante representativa no Congresso Nacional, o agro é parte integrante dos planos de governo.
Saiba o que os candidatos prometem para o setor. As informações são dos documentos protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Alguns dos documentos têm capítulos específicos sobre o setor. A reportagem restringiu sua busca a essas partes dos textos. Nos que não havia trechos direcionados ao setor, a referência foi a busca interna por termos genéricos relacionados ao tema, como agricultura e agronegócio.
A sequência das propostas segue os resultados da pesquisa Genial Quest, encomendada pela Globo em parceria com o jornal O Globo, e divulgada no sábado (14/8).
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Entre as propostas da candidatura à reeleição de Lula, estão a expansão do Plano Safra da Agricultura Familiar, “com juros compatíveis ao perfil do agricultor e ao tipo de produto”. O programa de governo fala também em reforço no crédito para agroecologia, produção orgânica e sociobiodiversidade.
Lula promete ainda avanço na reforma agrária, na política de regularização fundiária e na demarcação de territórios indígenas e remanescente de quilombos no Brasil. Além de promover o acesso à estrutura nesses locais, como água, saneamento e energia.
Ao agronegócio voltado à exportação, o candidato à reeleição defende agregar valor à pauta de comércio exterior e políticas que integrem a ciência e a capacidade produtiva. Promete também ampliar os recursos do Plano Safra com juros compatíveis e diversificar as fontes de financiamento.
Outra promessa é a de fortalecer a política de seguro rural, que tem sido alvo de críticas durante boa parte do atual mandado. A ideia é integrar a política de seguro a outros instrumentos de comercialização e de proteção financeira para o setor.
Flavio Bolsonaro (PL)
Principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro também fala na ampliação da política de seguro rural. Promete colocar também ferramentas de securitização e de reorganização de dívidas de produtores rurais.
O plano de governo do candidato tem também a promessa de ampliar a capacidade de armazenagem das safras, com a finalidade de garantir melhores preços para o produtor rural. Além de apoiar a produção nacional de fertilizantes, com o uso de reservar minerais do país.
Bolsonaro promete ainda aumento da segurança jurídica no campo, sem o que ele chama de relativização do direito de propriedade. Além de retomar a política de titulação de terras e regularização de propriedades rurais, especialmente dos pequenos agricultores.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro promete ainda ampliar a área irrigada no país, implantar as metas de adoção de combustíveis sustentáveis de aviação, incluir incentivos à produção de biomassa no Plano Safra e consolidar o Cadastro Ambiental Rural e o pagamento por serviços ambientais.
Renan Santos (Missão)
O plano de governo do candidato reúne propostas no que ele chama de AgroBrasil 2030. Santos fala em fim das invasões de propriedades rurais e restauração da segurança jurídica no campo. A promessa é a de repressão policial às ocupações e de endurecimento de punições.
Santos propõe uma auditoria em todos os 140 milhões de hectares já destinados a assentamento da reforma agrária no país. A intenção é equiparar os níveis de produtividade desses assentamentos ao das demais propriedades rurais. Até que haja essa equiparação, o governo não fará novos assentamentos.
O candidato também promete executar e ampliar o Plano Nacional de Fertilizantes e regulamentar a Política Nacional de Minerais Críticos, como incentivo à exploração de fosfato e potássio. Ele pretende também estabelecer um marco para a exploração desses materiais em territórios indígenas.
Outras propostas são a concessão de linhas de crédito que incentivem a agregação de valor e a verticalização da produção, reorganização do Plano Safra para beneficiar quem invista de processamento de produtos, e auditorias em materiais escolares para avaliar como tratam do agronegócio.
Ronaldo Caiado (PSD)
Entre as propostas do candidato, estão aumento de eficiência produtiva com o uso de inteligência artificial, extensão rural e metas de conectividade rural e digitalização. Ele promete também aprofundar programas de integração e de recuperação de pastagens degradadas.
A campanha promete também o que chama de uma nova arquitetura do financiamento para o agro. A proposta é de um Plano Safra Plurianual, com um horizonte de cinco anos; fortalecimento de outras ferramentas de financiamento, como o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA); e um seguro rural com participação pública e privada, vinculado ao crédito.
Caiado defende ainda a organização de corredores logísticos estratégicos para o agro, como forma de aproximar mais o setor dos mercados. E executar o Plano Nacional de Fertilizantes para reduzir a dependência de importados, além de incentivar a produção de insumos de base biológica e de defensivos.
O plano de governo inclui ainda a validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), adoção de um sistema nacional de rastreabilidade e ampliar o pagamento por serviços ambientais. E promete ainda fortalecer as estruturas de defesa agropecuária, com o uso de inteligência artificial.
Augusto Cury (Avante)
O plano de governo traz a meta de criar condições para a implantação, modernização e expansão de pelo menos 10 mil agroindústrias no país. Entre os segmentos, menciona cooperativas, produção familiar, indústrias frigoríficas, etanol de milho, fábricas de ração e processadoras de frutas.
Outra promessa é a de criar o que chama de centros regionais de produção de proteínas animais, com atenção especial ao Nordeste e ao Matopiba. A intenção é ampliar a integração entre as cadeias produtivas de grãos e de produtos de origem animal, desde a criação até o processamento.
Cury também promete agregar valor às exportações do Brasil, sem deixar de lado também a vocação do país para a exportação de commodities como soja e milho. A ideia é a de ter uma participação cada vez maior no mercado global de produtos processados, como alimentos, biocombustíveis e ingredientes.
Ele também defende o aumento da produtividade e da eficiência das cadeias produtivas, com redução de desperdícios e de custos logísticos. E que o desenvolvimento que propõe para o setor seja acompanhado por tecnologias, como inteligência artificial, automação, bioinsumos e rastreabilidade.
Romeu Zema (Novo)
O plano de governo promete iniciativas para impulsionar a produtividade. Entre as ideias, estão, incentivar a concorrência no setor de fertilizantes, facilitar a entrada de capital privado em pesquisa e e desenvolvimento, destravar licenciamento ambiental e ampliar a assistência técnica.
Zema defende também a criação de fundo privado com aportes públicos para fortalecer o seguro rural no país. E parcerias dos setores público e privado na construção de barragens e estruturas de irrigação.
O candidato propõe ainda o desenvolvimento econômico e a conquista de mercados para o setor por meio dos biocombustíveis. E investir na promoção do agro brasileiro como protagonista da segurança alimentar, ambiental e energética global. A ideia é destacar as tecnologias e a sustentabilidade desenvolvidas no Brasil.
Outra promessa da campanha é consolidar e ampliar o direito ao porte de arma no campo. Zema defende a ampliação da posse para toda a área da propriedade rural, com segurança jurídica para a legítima defesa. Promete ainda combater grilagem de terras e garantir o cumprimento do Código Florestal.
Samara Martins (UP)
O plano de governo da candidata defende o que chama de Reforma Agrária Popular, com o fim do latifúndio, controle estatal de preços de alimentos e redução do uso de agrotóxicos.
Edmilson Costa (PCB)
Costa também fala em Reforma Agrária Popular. Defende a desapropriação sem pagamento de indenizações de latifúndios improdutivos, áreas vinculadas ao trabalho análogo à escravidão e de fazendas que não cumpram as normas de função social da terra.
Ele também propõe a extensão da política de reforma agrária às periferias de grandes cidades, com a titulação de pequenos lotes sem direito a revenda e a organização de cooperativas de incentivo à produção agroecológica.
O candidato defende ainda a integração da política ambiental com a agropecuária, com redução do uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes químicos.
Clariana Barão (DC)
O plano de governo da candidata divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não faz menção específica ao agro. Também não menciona possíveis efeitos para o setor de suas propostas para a política econômica, como melhoria do ambiente regulatório, digitalização e infraestrutura e logística.
Hertz Dias (PSTU)
A campanha do candidato propõe expropriar propriedades rurais e estatizar empresas consideradas estratégicas, incluindo conglomerados agroindustriais. Defende ainda o fim do uso de agrotóxicos, recuperação de áreas degradadas, promoção da agroecologia e aceleração das demarcações de terras.
Dias propõe ainda o fim da concessão de crédito e de subsídios públicos ao que chama de grande agronegócio. E uma política de reforma agrária que mude as relações de propriedade, com o controle da terra pelos trabalhadores rurais. Além da criação de redes locais de produção e comercialização agrícola.
O candidato promete ainda o incentivo à produção nacional de máquinas e implementos agrícolas, fortalecimento da organização coletiva em cooperativas e associações, e apoio à agregação de valor à produção familiar.
Rui Costa Pimenta (PCO)
O candidato defende uma política de reforma agrária que inclua a expropriação de latifúndios e demarcação de terras indígenas. Defende ainda o assentamento imediato de sem-terra acampados nas diversas regiões do país, e o direito à posse de armamentos e de autodefesa a trabalhadores rurais e indígenas.
Wilson Grassi (Democrata)
O plano de governo do candidato defende a recomposição dos serviços veterinários públicos, com a realização de concursos e definição de planos de carreiras. Promete também manter e ampliar os status sanitários internacionais do Brasil, com vigilância contra febre aftosa, gripe aviária e peste suína.
Grassi propõe ainda um ajuste nos calendários de implantação dos programas de rastreabilidade. A ideia é antecipar o cumprimento das metas em relação aos programas atuais, alinhando-as às exigências dos principais corredores de exportação. Defende ainda o que chamou de diplomacia sanitária ativa, com participação em negociações e foros internacionais.
A campanha promete ainda a implantação de um programa nacional de boas práticas de manejo, transporte e abate animal, com prazos definidos. Quem conseguir o melhor desempenho na adoção desses padrões conseguirá crédito em melhores condições.
Para a agricultura familiar, promete crédito simplificado, assistência técnica com metas de cobertura por região do país e compras públicas que priorizem produção e local e pagamentos em prazos curtos.
Pablo Marçal (PRTB)
Até a publicação desta reportagem, a página da candidatura de Pablo Marçal no TSE não traz um documento com suas propostas de governo. As informações serão atualizadas quando o plano do candidato for divulgado.
Globo Rural



