Como a esquerda tem reagido ao cerco contra Moraes no escândalo do Master

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O cerco ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após mensagens trocadas entre ele e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e líder de um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil, colocou o magistrado sob fogo cerrado da direita, que defende, inclusive, o seu impeachment.
Na esquerda, no entanto, o comportamento é bem diferente. Os representantes desse campo político, que sempre defenderam o magistrado por sua postura em defesa da democracia nas eleições de 2022 e no julgamento da trama golpista, têm sido mais cautelosos, medindo as palavras ao comentar o assunto — e até avaliando se vão se pronunciar.
A maioria dos nomes mais conhecidos da esquerda escolheu não comentar o assunto. Entre aqueles que foram às redes sociais, a estratégia foi pedir investigações imparciais e, no máximo, defender a presunção de inocência. Não houve defesa expressiva de Moraes.
Um dos que falaram foi o presidente nacional do PT, Edinho Silva, que disse que “ninguém está acima da lei, seja cidadão comum, um governante, um parlamentar, ou até um integrante do Poder Judiciário”. Em um vídeo publicado na internet, ele disse ainda que o país vive uma profunda crise, na qual poderosos são protegidos mesmo quando cometem erros e infringem a lei.
Já o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) disse que é importante separar as coisas, argumentando que ter aplaudido Moraes em outras situações não significa dizer que não seja possível defender que ele seja investigado agora. “Aplaudir ministros do STF / TSE pela postura durante as eleições de 2022 e no julgamento do golpe de 8 de janeiro não tem nada de incoerente com a necessidade de cobrarmos esclarecimentos sobre as fraudes e todo o escândalo do Banco Master e as relações de ministros com Daniel Vorcaro”, escreveu.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi líder do PT na Câmara até o ano passado, seguiu um caminho semelhante, mas citou o ministro André Mendonça, afirmando que a relação dele com Vorcaro também precisa ser investigada. “Nós queremos que todo mundo que está envolvido com Vorcaro seja investigado, não importa se é ministro do STF, deputado ou senador. Mas nós não podemos aceitar seletividade do André Mendonça. Ele também precisa retirar o sigilo do Flávio Bolsonaro e do filme Dark Horse. Flávio Bolsonaro tem que renunciar ao mandato de senador e à candidatura a presidente! “, escreveu o parlamentar.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também rompeu seu silêncio dos primeiros dias e publicou um vídeo nas redes sociais sobre o assunto, mas sem mencionar Moraes diretamente. “Fica claro que os nossos sistemas político e Judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo o mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, afirmou o mandatário.
“O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil (… ). Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos [de informações]. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança das investigações. É chegada a hora em que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual”, completou Lula.
Nos documentos que apontam a relação de Moraes e Vorcaro, que tiveram o sigilo derrubado na terça-feira, 1º, por decisão de Mendonça, é apontado que o ministro teria editado o contrato que Vorcaro possuía com a mulher dele, Viviane Barsi de Moraes, o que sugere que ele poderia estar irregularmente envolvido com o banqueiro.
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