Comparar-se com outras mulheres só piora o quadro de sobrecarga, dizem psicólogas

Você mal acorda e, ao entrar nas redes sociais, vê fotos de treinos de corrida concluídos, imagens do que foi um café da manhã saudável, vídeos em que uma influenciadora passa quatro produtos na pele depois de já ter tomado um banho. Você então pensa que nunca vai conseguir ter aquele corpo ou aquela aparência, porque é impossível ter aquela rotina.
“As pessoas se comparam com o que veem nas redes sociais sem saber como é de verdade a vida do outro”, diz a psicóloga Tassiane Valim —spoiler: muitas vezes o que aparece na tela é mentira.
“Aquela influenciadora pega ônibus? Tem filho? Fazer essa comparação sem considerar as outras realidades impacta demais na autocobrança das mulheres e, consequentemente, na saúde mental.”
Segundo Tassiane, é importante olhar para quem seguimos nas redes sociais e filtrar o conteúdo que nos é entregue. “Temos que pensar se aquela pessoa está mostrando uma rotina possível ou não.”
Kátia Olivieri, psicóloga especializada na saúde mental da mulher, afirma que não devemos nos comparar nem com quem éramos no passado, muito menos com pessoas que não conhecemos e não sabemos como vivem além do Instagram.
“O tempo passa, a gente muda. O importante é sabermos o que faz sentido para nós”, diz. “Se eu não sei se, para mim, é mais legal o cabelo liso ou cacheado, é mais fácil eu acreditar no que os outros dizem, mesmo que não combine comigo.”
Além da idade, a socióloga Silvana Maria Bitencourt, da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), aponta o marcador de classe social. “Parece que algumas influenciadoras não sofrem, e isso não existe na vida real”, diz.
Ela lembra que por trás da cobrança estética que recai sobre as mulheres há uma indústria que tenta vender seus produtos: “Compre aqui este creme, faça este procedimento”, repetem mulheres com milhões de seguidores nas redes sociais.
O caminho que as especialistas indicam para mulheres que estão sofrendo com esses dilemas é começar trabalhando a autoestima. A mulher mais segura vai se abalar menos ao ver vidas e corpos supostamente perfeitos.
“Também falo para minhas pacientes diminuírem o nível de exigência”, diz a psicóloga Ana Maria, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association). “Tudo bem não estar com a aparência 100% seguindo um padrão, o importante é se sentir confortável.”
Informação
Folha de São Paulo



