Copa: Bruno Guimarães lidera assistências na Copa – 29/06/2026 – Esporte

A seleção brasileira sofreu para superar a defesa japonesa na classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo. Mas encontrou a vitória na bola aérea e no esforço hercúleo de Bruno Guimarães, que criou a jogada do gol de classificação e agora é o líder isolado de assistências da Copa, com quatro passes para gol.
A retranca japonesa
O Japão entrou em campo com uma estratégia clara: trancar a defesa e explorar o contra-ataque. Deixando poucos metros até a linha de fundo, eles dificultaram muito a partida para os pontas Vini Jr. e Rayan, que precisam de espaço para brilhar.
É o mesmo tipo de tática que belgas e croatas usaram em Copas passadas para eliminar o Brasil. Assim, o Brasil reencontrou a dificuldade de criar contra retrancas.
Aos 28 minutos, o plano do Japão deu resultado: o lateral Danilo errou um passe que alimentou o contra-ataque japonês. Sano recebeu a bola na entrada da área e abriu o placar com um chute de fora da área, um lance que guarda semelhanças com o gol de De Bruyne, da Bélgica, na eliminação brasileira em 2018.
Daí em diante, os japoneses recuaram ainda mais, entregando a bola para o Brasil. Com a responsabilidade de se recuperar no jogo, a seleção brasileira trocou 359 passes no primeiro tempo, mais que o dobro do que o Japão. Mas a retranca dos adversários, recheada com cinco defensores, impediu que os toques rasteiros infiltrassem a área.
Bola aérea
Assim, a única forma de chegar perto gol foi a ligação direta: cruzamentos e lançamentos. Aí entra um problema da seleção, que os japoneses souberam explorar bem: a falta de atacantes cabeceadores e laterais ofensivos.
Um exemplo disso é Douglas Santos, nosso lateral esquerdo. Ele cruzou x vezes na partida, menos . Danilo até conseguiu ajudar mais no ataque, apesar de sua virtude não ser a ofensividade —no Flamengo, atua como zagueiro na temporada.
No total, o Brasil cruzou 12 vezes na primeira etapa, com só 2 certos. Foram oito finalizações do Brasil, mas só duas no alvo, ambas defendidas pelo goleiro Suzuki. Desta forma, a seleção terminou o primeiro tempo sem causar perigo.
Ancelotti reagiu trocando o lesionado Lucas Paquetá pelo atacante Endrick, que povoou a área. Também parece ter indicado a Casemiro, um dos poucos jogadores fortes no cabeceio além da dupla de zaga, que subisse para a área e ajudasse na bola aérea.
As mexidas surtiram efeito: depois de um sequência de bolas cruzadas nos primeiros minutos do segundo tempo, o zagueiro Gabnel Magalhães —não um lateral— cruzou a bola na medida para o volante empatar o jogo de cabeça.
Pouco antes, Casemiro quase marcava em um lance inacreditável de estratégia semelhante: bola aérea. No total, o Brasil fez 40 cruzamentos na partida, contra 10 do Japão
Bruno Guimarães decisivo
No final, quem decidiu a classificação foi Gabriel Martinelli. Mas dá para creditar muito o meio-campista Bruno Guimarães, que fez o passe para o gol.
Bruno já havia sido decisivo na fase de grupos, quando deu a assistência para o gol de Vini contra Marrocos e também para dois dos tentos contra a Escócia.
Com o passe decisivo de hoje, soma 4 assistências e isola-se como o líder nesta métrica da Copa, deixando para trás Olise, da França e Isak, da Suécia, que têm 3 até aqui e ainda jogam nesta fase.
O meia também foi o jogador brasileiro que mais chutou ao gol. Das 19 finalizações brasileiras, quatro foram dele. Matheus Cunha e Vinícius Júnior fizeram três cada; já Casemiro, Paquetá e Martinelli finalizaram duas vezes.
Todas essas estatísticas ganham mais valor ainda ao pensar que Bruno teve que segurar o meio de campo brasileiro sem Paquetá, que foi trocado por um atacante, e muitas vezes sem Casemiro, que subia para a área nos cruzamentos.
Assim, também é o jogador da seleção que percorreu a maior distância na Copa até aqui, com 44 km, segundo dados da Fifa.
Os dados da Opta foram coletados nesta segunda-feira (29), às 16h30. Possíveis alterações podem ocorrer com atualizações da plataforma no pós-jogo.
Esporte / Folha de São Paulo



