Política

Crise que opôs Mendonça a Moraes bate recorde de repercussão política nas redes

A crise que colocou em lados opostos os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornou-se o episódio político de maior repercussão nas redes sociais nas primeiras 24 horas após as novas revelações — que vieram à tona após Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master, retirar o sigilo do caso — entre os casos monitorados pelo Instituto Democracia em Xeque. Levantamento divulgado nesta quarta-feira, 2, mostra que o assunto somou 1,12 milhão de menções, produzidas por 120. 400 autores únicos, com 11,8 milhões de interações.

O volume foi impulsionado pelas novas revelações sobre a relação entre Moraes, sua família e o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, mas ganhou uma dimensão adicional com o confronto entre os dois ministros do Supremo.

O número supera a repercussão registrada em outros episódios de forte impacto político acompanhados pelo instituto. Nas primeiras 24 horas, o caso Dark Horse (revelação de que o banqueiro havia financiado filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro) havia alcançado 911,9 mil menções, enquanto a condenação de Jair Bolsonaro chegou a 756. 100. No caso atual, o pico foi de 84. 900 menções em uma única hora, nove horas após o início do ciclo analisado.

A crise também ganhou um destino político imediato: o 7 de Setembro. Segundo o levantamento, a direita passou a associar as revelações sobre Moraes à convocação para a manifestação prevista para a Avenida Paulista. O eixo que reúne a defesa de Mendonça e a mobilização para o feriado concentrou 39% das publicações e 37% das interações entre os perfis políticos monitorados pelo DX — a maior fatia da conversa.

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Crise no STF alimenta mobilização

A estratégia digital da direita passou a combinar os questionamentos sobre a relação de Moraes com Vorcaro com pedidos de investigação, impeachment, afastamento e até prisão do ministro. O deputado Nikolas Ferreira (PM-MG), por exemplo, defendeu a prisão preventiva de Moraes, enquanto o senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou um novo pedido de impeachment e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo. Marcel van Hattem (Novo-RS) também afirmou que apresentaria novo pedido de impeachment e pediria a Mendonça a prisão preventiva de Moraes.

Nesse ambiente, Mendonça ganhou centralidade como contraponto ao colega no Supremo. O levantamento identifica que sua atuação como relator da investigação passou a ser valorizada por perfis críticos a Moraes, que associam suas decisões a uma suposta divisão interna na Corte. Eduardo Bolsonaro e outros atores da direita também passaram a destacar a atuação do ministro.

O segundo maior eixo da conversa, com 21% das publicações, foi justamente a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de documentos da investigação. O tema incorporou o embate público entre os dois ministros e o encaminhamento dos diálogos ao plenário do STF, presidido por Edson Fachin.

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Os pedidos de saída de Moraes responderam por outros 13% das publicações. Nesse grupo, aparecem a iniciativa de impeachment protocolada por Carlos Viana, a resistência de Alcolumbre em abrir o processo e manifestações públicas pela saída do ministro.

A repercussão, contudo, não se limitou ao confronto institucional. Os valores mencionados nos documentos também tiveram espaço relevante. O eixo correspondente a contratos, cartões de crédito e cotas de aeronaves respondeu por 13% das publicações e chegou a 13% das interações.

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A reação da esquerda

A esquerda participou menos da discussão nas redes, mas concentrou sua reação em André Mendonça. De acordo com o levantamento, 56% da discussão desse campo político se concentrou na suspeição do ministro e em questionamentos sobre sua atuação como relator. Outros 20% trataram da hipótese de que a divulgação dos documentos teria sido motivada por interesses individuais ou políticos.

A crítica ganhou força depois da divulgação de áudios e mensagens que apontam para encontros anteriores entre Mendonça e Vorcaro. O material passou a ser usado para questionar a isenção do ministro e a defender seu afastamento da relatoria da Operação Compliance Zero.

Outro ponto explorado por perfis de esquerda foi a diferença de tratamento entre as investigações envolvendo Moraes e o senador Flávio Bolsonaro. Também ganhou espaço a manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela anulação do relatório da Polícia Federal que estabeleceria vínculos entre Vorcaro e Moraes.

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Moraes volta ao centro das redes

A dimensão da crise também aparece quando se amplia o período de comparação. Dados da ferramenta Talkwalker mostram que Alexandre de Moraes recebeu 1,5 milhão de menções entre 27 de agosto e 2 de setembro, contra 391 mil nos sete dias anteriores. O volume, portanto, foi 3,5 vezes maior. O engajamento passou de 5,5 milhões para 17 milhões de interações.

Apesar da dimensão alcançada pelas revelações sobre Vorcaro, o banqueiro ficou em segundo plano na conversa digital. O eixo que trata da consulta feita por ele a Moraes sobre a possibilidade de deixar o país representou apenas 4% das publicações e das interações. O interesse das redes se deslocou, sobretudo, para a disputa institucional entre os dois ministros.

A imprensa acompanhou esse movimento de maneira diferente dos campos políticos. Segundo o DX, 33% da discussão jornalística se concentrou na retirada do sigilo e 21% na repercussão dos valores citados nos documentos. A cobertura também passou a acompanhar as consequências institucionais do conflito, como as decisões de Mendonça, a possibilidade de novas investigações e as divergências dentro do Supremo.

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