Dólar sobe e Bolsa cai com susto sobre emprego nos EUA e eleição no Brasil

O dólar registrou alta de 0,50% frente ao real, cotado a R$ 5,13, nesta sexta-feira (4/9). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em leve baixa de 0,16%, aos 184,8 mil pontos. Como a variação foi pequena, na prática, o indicador manteve-se estável.
Os mercados de câmbio e ações atuaram sob efeito de dois catalisadores. O principal deles foi a divulgação do “payroll” (literalmente, “folha de pagamento”), o principal relatório sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. O segundo vetor, embora com efeito bem menor, foi a disputa eleitoral no Brasil.
No caso do “payroll”, um dos principais indicadores usados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para definir a política monetária do país, o resultado foi surpreendente. Em agosto, foram criadas 162 mil vagas de emprego nos Estados Unidos.
O número ficou muito acima das projeções de mercado, que estimavam a abertura de apenas 55 mil postos de trabalho. Já a taxa de desemprego em agosto manteve-se em 4,1%, como esperado pelos agentes econômicos.
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do Metrópoles
Surpresa
As informações do relatório surpreenderam os investidores. Os dados mostraram que a economia americana se mantém resiliente, apesar das turbulências provocadas pelo tarifaço e pela guerra do Irã, cuja consequência direta foi o choque do preço do petróleo.
E se o emprego segue firme, a tendência é que o Fed tome as medidas para conter a inflação e levá-la para a meta de 2%. Ou seja, nesse contexto, encorpam as chances de um aumento da taxa de juros americana, hoje fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%, na próxima reunião do BC dos EUA em 16 de setembro.
Efeito
O aumento dos juros pelo Fed tem forte impacto na economia global. Ele torna mais atrativos, por exemplo, os títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries. Em contrapartida, ativos de maior risco, como as ações negociadas em bolsas, perdem interesse.
Em Wall Street, por exemplo, os principais índices caíram no pregão.Às 16h15, as baixas eram de 0,45%, no S&P 500; de 0,57%, no Dow Jones; e de 0,36%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Ainda num quadro de elevação dos juros americanos, há pressão de alta do dólar. Não por acaso, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), às 16h20, registrava avanço de 0,15%, aos 99,15 pontos.
Eleição
No Brasil, avaliam especialistas (leia abaixo), o mercado continuou repercutindo as recentes pesquisas eleitorais da Quaest e do Datafolha, veiculadas nesta semana. Ambas mostraram uma disputa mais acirrada na corrida presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O resultado prático das sondagens eleitorais foi uma valorização expressiva do Ibovespa, notadamente na quarta-feira (2/9), uma vez que a maioria dos investidores é francamente favorável à candidatura de Flávio. Para os técnicos, parte desse efeito ainda embalou o Ibovespa, embora de maneira menos intensa, neste pregão.
Análise
Emerson Junior, da mesa de câmbio da corretora Convexa, afirma que a alta do dólar frente ao real acompanhou, em grande medida, o avanço global da moeda americana, num dia de forte “reprecificação” nos mercados internacionais. “A guinada foi motivada pela surpresa com o ‘payroll’ de agosto, que veio bem acima do esperado”, diz.
Ele acrescenta que declarações da dirigente do Fed Beth Hammack, que defendeu ser a “hora de agir” para conter a inflação, recolocou na mesa as apostas numa alta de juros. “No cenário doméstico, o mercado monitorou o empate técnico entre Lula e Flávio na pesquisa Datafolha, além dos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).”
Juros futuros
Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da mesma corretora, nota que o “payroll” forte aumentou a cautela em relação aos próximos passos do Fed, com o mercado mantendo no radar a possibilidade de uma postura mais dura na condução dos juros.
“A reação apareceu imediatamente nos Treasuries, com avanço dos rendimentos após a divulgação do relatório”, afirma. “O movimento é relevante para mercados emergentes porque juros americanos mais altos tendem a aumentar a atratividade relativa dos ativos em dólar e podem pressionar as condições financeiras globais.”
No Brasil, acrescenta Dadoorian, a curva de juros não acompanhou integralmente a pressão externa. Os vencimentos médio e longos dos DIs caíram.
Metrópoles



