Eleições 2026: Pressão dos EUA leva Brasil e China a ampliar a dependência mútua

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Boa notícia nº 1: o governo Donald Trump topa negociar o tarifaço (de até 37,5%) contra produtos, empresas e empregos dos brasileiros. “Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas (sobre tarifas)”, diz a mensagem diplomática de Washington enviada à Organização Mundial de Comércio. Acrescenta: “Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas.”
Boa notícia nº 2: o governo de Xi Jinping pediu para participar dessas negociações entre o Brasil e os EUA na Organização Mundial de Comércio. A China confirmou o seu “interesse comercial substancial” no processo brasileiro contra o tarifaço americano.
Esse balé diplomático tende a ser de longa duração. Os anúncios de Washington sobre a disposição de negociar com o Brasil e o desejo manifesto da China de participar são bons presságios, mas, por enquanto, não passam disso.
De toda forma, confirma-se o acerto de uma ala do Itamaraty que, nas reuniões do governo brasileiro, insistiu em manter aberta a porta para negociação na OMC, apesar do notório desprezo do governo Trump à entidade. Atesta-se, também, a eficiência na coordenação diplomática com a China.
Se vai dar certo ninguém sabe. É efeito da imprevisibilidade característica do governo Trump. No entanto, é evidente que a hostilidade de alguns assessores de Trump em relação ao Brasil apenas realça a ineficácia do tom imperial do secretário de Estado Marco Rubio na condução da política externa americana. Está difícil para Washington garantir, na escala desejada, o predomínio dos interesses dos EUA na disputa com a China por influência na América do Sul.
O caso brasileiro é exemplar. Sob Trump, até agora, a política dos Estados Unidos tem estimulado Brasil e China a ampliar de forma rápida e incomum a interdependência econômica.

São eloquentes os dados do governo e do Conselho Empresarial Brasil-China sobre a evolução do comércio, do fluxo de capitais, das preferências setoriais e territoriais para investimentos chineses.
Essa interdependência já tem solidez suficiente para pulverizar miragens sobre a reversão nas urnas, por uma eventual simpatia da maioria dos eleitores aos EUA ou porque um político da oposição tenta ser reconhecido como candidato dos Estados Unidos na eleição presidencial do Brasil. Vale lembrar Jair Bolsonaro, que se frustrou em sucessivas tentativas de sabotar as relações com a China.

Mas não há aliança Brasil-China, até porque ambos competem no comércio com os EUA.
Há, sim, interesses comuns. Foi o que levou à mobilização em Brasília e Pequim, duas semanas atrás, para coordenar iniciativas de defesa contra a política comercial de Trump.
Uma das consequências foi a manifestação da China à OMC sobre “interesse comercial substancial” no processo brasileiro contra o tarifaço americano.
O líder chinês Xi Jinping vai visitar Trump no final de setembro. Não é improvável que acabem assinando um acordo comercial com sequelas para exportadores brasileiros, especialmente os do agronegócio. É o velho jogo do comércio global, mas com novas regras.
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