Política

Em largada ao governo do Rio, Paes elogia Couto e chama rivais de ‘organização criminosa’

O PSD oficializou nesta segunda-feira, 20, a candidatura do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, a governador do estado ao lado da vice, a advogada Jane Reis, que faz parte de uma família influente na Baixada Fluminense, região com o maior número de eleitores fora da capital.

Paes desponta como favorito nas pesquisas, com chances de vencer o rival, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa, no primeiro turno. A convenção para formalizar a candidatura foi marcada para o primeiro dia do intervalo de duas semanas reservado para esses eventos no calendário da Justiça Eleitoral. Um claro demonstrativo de que a chapa está azeitada, ao contrário do lado adversário, que sofreu baixas na vice e nas vagas ao Senado e precisa se reorganizar às vésperas do prazo final, em 15 de agosto, para registrar os candidatos.

Em seu discurso, o ex-prefeito deu sinais de como vai se mover na campanha. Uma das estratégias será apoiar a reforma que vem sendo promovida pelo desembargador Ricardo Couto, que governa interinamente o estado e caiu nas graças da população pela política moralizante e de corte de gastos. “Ricardo Couto tem tido a coragem de fazer ajustes que há muito tempo o Rio esperava.  Essas medidas moralizadoras não vão parar. Vamos mantê-las e aprofundá-las. A gente vai provar uma coisa importante: a política também é capaz de se corrigir. Dinheiro público é sagrado. Não aceita desperdícios e não tolera desvios”, declarou Paes.

Outro eixo central do plano de governo, considerado incontornável pelas campanhas, é a crise na segurança pública. Paes defende uma política linha dura contra o crime organizado e a retomada de territórios dominados por facções e milícias, mas sem um discurso radicalizado. “Ao crime organizado o meu recado é direto: o tempo em que o estado se acovardou acabou. O Rio de Janeiro pertence ao seu povo trabalhador e honesto. No meu governo, o estado vai voltar a mandar no seu território”, disse.

O ex-prefeito afirmou também que, se for necessário, vai pedir apoio do governo federal e as Forças Armadas para recuperar áreas controladas pelo crime. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoia a candidatura, embora a vice de Paes seja bolsonarista. O presidente foi citado nominalmente no discurso, após especulações de que Lula poderia ser “escondido” durante a campanha, já que o petista teve um desempenho ruim no Rio nas eleições de 2022. Em um tom conciliador, Paes defendeu a união de esforços “acima das divisões” ideológicas. Uma frente ampla de partidos declarou apoio ao ex-prefeito – MDB, PSB, Podemos, PRD, Solidariedade, PSDB, PT, PV, PCdoB, PDT e DC.

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Eduardo Paes também aproveitou para criticar abertamente o grupo político rival. “Talvez o certo não seria chamar de grupo político, mas de organização criminosa”, disparou. “Tudo o que nós estamos vendo de errado no estado é fruto de uma crise institucional, moral e política sem precedentes”, completou. O ex-prefeito vai se apresentar como a mudança.

Sobrou também para a Assembleia Legislativa, que vive uma crise de imagem após operações em série da Polícia Federal atingirem cinco deputados nos últimos meses. “O que a gente vê é a maioria da Assembleia Legislativa formando uma quadrilha de deputados que são verdadeiros sócios do crime organizado, das milícias e do tráfico”, criticou. “No final descobrimos que os pitbulls eram tchutchucas do Comando Vermelho”, ironizou.

O ex-prefeito também fez a primeira promessa de campanha: tirar do papel a linha 3 do metrô, que vai conectar bairros da zona sul e norte da capital a São Gonçalo, na região metropolitana. Paes também fez diversos afagos aos prefeitos presentes no evento. Os palanques no interior, onde ele enfrenta a maior resistência, são considerados fundamentais para vencer a corrida eleitoral. “Todos estão vendo que eu abandonei o chapéu Panamá pelo chapéu de caubói”, disse o carioca, que tenta escapar do rótulo de “malandro”. ” O estado do Rio vai voltar a ser parceiro de quem está na ponta. Confiem na palavra de quem passou a maior parte da vida em uma prefeitura. Os prefeitos não vão ter mais que mendigar, eles vão caminhar ao lado”, prometeu.

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