Embraer conquista encomendas em Farnborough e vê espaço para ampliar produção militar

O Goldman Sachs avalia que a Embraer (EMBJ3) foi um dos principais destaques do Farnborough Air Show 2026, principal evento da indústria aeroespacial global, após a fabricante anunciar 25 novos pedidos firmes e 30 opções de compra.
O principal contrato foi firmado com o Abra Group, que encomendou 20 jatos E195-E2, além de adquirir 25 opções para futuras compras.
A fabricante também fechou acordos com a Binter Canarias, que comprou cinco E195-E2; com a Luxair, que encomendou três E190-E2; e com a japonesa Fuji Dream Airlines, que adquiriu dois E175.
Em reunião com o diretor financeiro (CFO), Felipe Santana Santiago de Lima, a companhia afirmou que avalia oportunidades para novos produtos, impulsionadas por pedidos de clientes por aeronaves narrowbody mais confiáveis e jatos executivos com cabines maiores de três seções.
A fabricante, porém, ressaltou que ainda não tomou decisões nem definiu cronogramas para esses projetos. Antes, pretende concluir a certificação da Eve, sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, além de avaliar o retorno esperado dos investimentos, possíveis parceiros de financiamento e outros fatores estratégicos.
Sobre o cargueiro militar KC-390, a Embraer informou que pretende elevar a produção para 10 aeronaves por ano até 2030. A empresa espera fabricar seis unidades em 2026 e aumentar o ritmo em uma aeronave por ano até o fim da década. A infraestrutura industrial, segundo a companhia, foi projetada para suportar uma produção de até 18 unidades anuais. Atualmente, a carteira de pedidos soma 42 aeronaves KC-390.
No segmento de jatos executivos, a Embraer afirmou que os clientes seguem buscando diferenciação por meio do design interno das aeronaves e de novas tecnologias voltadas à experiência do usuário. Para o próximo ano, o foco será aprimorar os sistemas operacionais para reduzir a carga de trabalho dos pilotos. A empresa também espera uma maior padronização dos cockpits entre os jatos executivos e, futuramente, também na aviação comercial.
Após as reuniões do evento, o Goldman Sachs manteve recomendação de compra para a Embraer, com preço-alvo de US$ 82 por ADR (recibo de ações negociados nos EUA). Segundo o banco, a avaliação considera a soma das partes dos diferentes negócios da companhia, incluindo a participação na Eve. Entre os principais riscos para a tese de investimento estão a demanda por aeronaves comerciais e executivas, o desempenho da divisão de Defesa no Brasil e as oscilações cambiais.
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