Notas fiscais reacende temor de novos capítulos da relação entre Flávio e Vorcaro

A divulgação de documentos que mostram que o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu R$ 500 mil de uma empresa ligada a uma consultoria abastecida com recursos do Banco Master reacendeu a preocupação na cúpula do PL.
Embora o presidenciável sustente que a contratação foi legal e sem qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dirigentes da legenda avaliam reservadamente que o novo episódio prolonga uma crise que a campanha tentava deixar para trás desde maio e amplia a desconfiança em torno da relação entre os dois.
Nos bastidores, integrantes do entorno do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmam que o principal temor não é apenas o impacto desta revelação, mas a possibilidade de novos capítulos surgirem durante a campanha presidencial. A avaliação é que a sucessão de episódios envolvendo Vorcaro alimenta dúvidas no meio político e dificulta convencer aliados de que o assunto foi definitivamente encerrado.
Segundo aliados ouvidos pelo GLOBO, o problema é que Flávio tem enfrentado “uma crise atrás da outra”, sempre afirmando que não há fatos que ainda não se tornaram públicos. Segundo esses interlocutores, a sensação é de desconfiança diante de possíveis novos desdobramentos.
Neste contexto, o episódio provoca indignação justamente por reabrir um tema que o PL considerava superado. A leitura é que, independentemente das explicações apresentadas por Flávio, cada nova revelação mantém o nome do senador associado ao banqueiro e oferece munição para adversários explorarem o assunto ao longo da campanha.
A preocupação se soma a uma sequência de episódios envolvendo Vorcaro. Em maio, vieram à tona mensagens mostrando que Flávio negociava com o banqueiro o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Planilhas revelaram repasses de pelo menos R$ 61 milhões para a produtora responsável pela obra, que passaram a ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.
Já na semana passada, uma foto de Flávio com Sicário, chefe de uma milícia privada organizada por Vorcaro, começou a circular. O senador alegou desconhecer a foto e também disse que se tratava de inteligência artificial.
Agora, documentos revelados pelo portal Metrópoles e confirmados pelo GLOBO mostram que o escritório de advocacia de Flávio recebeu R$ 500 mil da Contábil Correa por serviços de assessoria jurídica. A empresa tem como único sócio Rogério Lourenço Novo, que também é diretor da consultoria Copenhagen.
Documentos da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado mostram que o Banco Master repassou R$ 57,9 milhões à Copenhagen entre 2024 e 2025. O escritório do senador também emitiu duas notas fiscais, no valor total de R$ 1 milhão, para a consultoria, mas os documentos foram cancelados.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio reconheceu que prestou serviços advocatícios à Contábil Correa, mas negou qualquer relação com os recursos do Banco Master. Segundo ele, a contratação pela Copenhagen nunca foi efetivada.
— Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Daniel Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Cancelei duas notas fiscais — afirmou.
Auxiliares do presidenciável sustentam que não há qualquer irregularidade no caso e avaliam que a repercussão da nova revelação foi menor do que a provocada pelas negociações para o financiamento do filme Dark Horse.
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Na avaliação desse grupo, o episódio é excessivamente técnico, envolve contratos privados e diferentes pessoas jurídicas, o que dificulta sua compreensão pelo eleitor comum e reduz seu potencial de desgaste político. Por isso, a orientação na campanha foi se restringir aos esclarecimentos já apresentados por Flávio.
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