Entidades alertam que falta de mão de obra ameaça obras do novo PAC

Entidades da área de infraestrutura alertam que o setor pode entrar em colapso por causa da escassez de mão de obra na área e afirmam que o déficit de profissionais pode colocar em risco os custos e entregas de obras importantes, como as do novo PAC.
O alerta foi feito pela Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias e de Infraestrutura de Transportes) e pelo Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura) durante reunião com o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
No encontro, eles até admitem que o setor voltou a ganhar investimento, mas ainda falta mão de obra. O déficit atual é de 75 mil engenheiros, podendo chegar a 500 mil até 2030. E o cenário não é promissor.
As entidades afirmam que o país opera abaixo do potencial produtivo porque não há sequer trabalhadores com qualificação básica suficiente. Por isso, pediram ações concretas e urgentes do governo federal ou, dizem, o sistema vai colapsar.
O gargalo, segundo as entidades, já tem elevado os custos e afetado a qualidade das obras, colocando em risco as entregas de programas estratégicos.
Por isso, elas entregaram um documento chamado de Pacto pelo Brasil, assinado por 11 entidades, que propõe ações imediatas para elevar o estoque de infraestrutura ao padrão global de 60% do PIB.
Entre as medidas propostas, estão a revisão curricular de cursos de engenharia, maior aproximação com o ambiente real das obras e mecanismos de permanência estudantil. Tudo isso para manter o interesse no curso. As matrículas caíram 30% nos últimos anos.
As entidades pedem ainda programas de qualificação rápida e certificação por competências para acelerar a formação de trabalhadores aptos a atuar em obras e previsibilidade dos investimentos para ter um horizonte de demanda.
“Transformar esses investimentos em obras e desenvolvimento exige capital humano qualificado. Precisamos olhar para a formação dos nossos engenheiros como uma questão estratégica para o crescimento do país.”, diz Danniel Zveiter, presidente da ANEOR.
O ministro ouviu os pedidos, disse que o presidente Lula está ciente do problema atual e o assunto tem entrado na pauta de reuniões e eventos públicos. Mas o governo ainda não apresentou soluções concretas.
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Folha de São Paulo



