Franceses falam em conter jogo de posse de bola da Espanha, não apenas Yamal

Lamine Yamal foi o nome mais pronunciado nas entrevistas concedidas por Jules Koundé e Adrien Rabiot na SMU (South Methodist University), em Dallas, onde a França fez seu último treino para a partida contra a Espanha, pelas semifinais da Copa do Mundo. Antes da atividade de segunda (13), eles foram constantemente questionados sobre o futebol e as palavras do jovem.
Do ponto de vista tático, observaram que os riscos da equipe espanhola não se resumem ao atacante de 19 anos. No que diz respeito às declarações do camisa 19, evitaram polêmicas. Após a vitória espanhola sobre a Bélgica, nas quartas, o garoto disse: “Se existe alguma equipe que a França deve temer, é a Espanha”.
“Em nenhum momento sentimos falta de respeito”, afirmou o lateral direito Koundé, que é seu companheiro no Barcelona. “Conheço muito bem o Lamine, sei como ele é. Para mim, foi uma demonstração de confiança. Ele sempre faz isso no Barça, tem muita confiança na sua qualidade, na qualidade da equipe em que joga. Vejo como uma motivação extra para ele, só isso.”
Rabiot, por sua vez, foi contido. Questionado inicialmente sobre o recado que gostaria de dar, respondeu: “Nada”. Mencionou “a humildade que caracteriza o grupo da França”, sem, no entanto, opô-la diretamente a uma suposta arrogância do rival.
O meio-campista sabe que frases descuidadas podem custar caro. Quando os times se enfrentaram na última Eurocopa, em 2024, também nas semifinais, ele chegou a dizer que seria difícil para um menino que nem havia completado 17 anos suportar a pressão: “Se ele quiser disputar uma final, terá de fazer mais do que tem feito”.
O adolescente comandou a virada da Espanha, marcando o primeiro gol em jogada em cima de Rabiot e participou também do lance que definiu o 2 a 1. Celebrou debochando: “Fala, fala!”.
“Não me lembro mais dessas declarações. Se eu disse, foi porque deveria ser verdade naquele momento. Agora, sobre o que ele disse, acho que o Ibou [Konaté] e o Maxence [Lacroix] responderam muito bem, no sentido de que, antes de tudo, continua sendo futebol. Não temos ninguém, obviamente”, afirmou o volante francês.
Isso não quer dizer que a formação azul não tenha as suas preocupações para o duelo de terça (14), no AT&T Stadium, nas cercanias de Dallas. E elas vão além do habilidoso atacante, que fez ótimas jogadas, mas marcou apenas um gol até aqui na Copa do Mundo.
“Não, não existe plano anti-Yamal. A gente se concentra na seleção espanhola, não focamos um jogador específico. Sabemos que são perigosos em todos os níveis, seja na frente, na posse da bola, atacando pequenos espaços perto da área, com um jogo combinado. É preciso que a gente se concentre nisso, não necessariamente em uma individualidade”, afirmou Rabiot.
Para Koundé, será importante conter a estratégia de troca de passes dos comandados de Luis de la Fuente. A França, ainda que tenha se mostrado no atual Mundial uma equipe afeita também à bola, é fortíssima nos contragolpes, com os velozes e hábeis Dembélé, Olise e Mbappé. Contra-atacar há de ser uma opção, observou o lateral, porém não a única.
“Somos um time confortável jogando a bola e também podemos atuar mais recuados, explorando as transições, porque temos muita capacidade de jogar assim. De qualquer maneira, levamos em conta que precisamos ter a bola, porque, contra a Espanha, você não pode deixar a bola com eles durante os 90 minutos. Eles vão cansando você e encontram o espaço.”
Esporte / Folha de São Paulo



