Política

Hélio Lopes adota versão ‘Hélio Bolsonaro’ em RR, critica Moraes e fala em ‘guerra espiritual’

Candidato ao Senado por Roraima, o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) estreou no domingo (16) a campanha eleitoral no estado com um ato que reuniu cerca de 30 pessoas em uma praça de Boa Vista. A tônica deste começo de campanha deve mirar no apoio ao garimpo e de evangélicos e se ancorar no sobrenome de Jair Bolsonaro.

Convocado pelas redes sociais, o encontro por volta das 22h ocorreu no centro cívico, onde fica o Monumento aos Garimpeiros. Ele adotou o sobrenome do ex-presidente nas urnas.

Chamado de “06” em vídeos por Eduardo Bolsonaro, Hélio Lopes não tem trajetória política anterior em Roraima. Nascido em Queimados (RJ), ele transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para o estado em março deste ano e lançou-se candidato ao Senado a “pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro”, segundo sua assessoria.

Em nota, a coordenação afirma que a escolha de iniciar dessa forma é deliberada. “É assim mesmo que queremos começar: com posicionamento, uma fé inabalável e oração”.

A avaliação sobre o tamanho do primeiro ato também foi feita nesse contexto. A equipe não tratou a presença de cerca de 30 pessoas como um problema. Na terça-feira (18), a reportagem esteve na mesma praça e encontrou um grupo ainda menor do candidato, com dez apoiadores, a maioria homens.

Embora tenha recebido apoio público de Flávio para disputar o Senado, Hélio não pediu votos diretamente para o presidenciável durante o ato de domingo. Foi Flávio quem oficializou o deputado em junho. “Fiel escudeiro do presidente Bolsonaro. Ele é o escolhido. É muito importante ter uma base forte na Câmara e no Senado”, disse Flávio em vídeo disponível no Instagram.

O ato no domingo teve oração, louvor e discursos de apoio ao bolsonarismo. Hélio defendeu o ex-presidente e voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes. Também fez uma chamada de vídeo com o senador Magno Malta (PL-ES) e disse aos presentes que não poderia ligar para Michelle Bolsonaro.

Em um dos momentos do discurso, afirmou que sua presença em Roraima faz parte de uma espécie de missão religiosa e política. “É um momento de guerra espiritual”, disse o deputado, ao pedir aos apoiadores que rezassem por ele, pelos candidatos e pelo país.

A estratégia anunciada pela campanha é manter a mobilização diária. Segundo a assessoria, Hélio retorna todos os dias, às 22h, à praça para orar e “clamar por Roraima”, como divulgado no seu Instagram. A iniciativa está prevista para durar 45 dias.

Uma participante que pediu para não ser identificada disse que participa por motivos religiosos, e que está apoiando Hélio, por ser da direita e casar com os princípios dela.

Garimpo

O deputado não apresentou propostas específicas para Roraima durante o ato de domingo. A coordenação de campanha, no entanto, informou à reportagem que a ideia é criar um conjunto de 22 teses batizado de “Bolsonarismo Amazônico”, dividido em cinco áreas: segurança e soberania, desenvolvimento e infraestrutura, tecnologia e educação, bioeconomia e saúde pública.

Para o garimpo, uma das atividades com maior peso político no estado da Amazônia, a equipe defende a criação de um “marco do extrativismo mineral sustentável, estabelecendo regras claras para a atividade e buscando um modelo de gestão com participação das comunidades indígenas e cooperativas legalmente constituídas”, informa a nota. A Constituição, no entanto, proíbe a mineração em terras indígenas.

A candidatura de Hélio ocorre em meio a uma disputa interna no próprio PL de Roraima. O partido oficializou também o deputado federal Nicoletti (PL-RR) como candidato ao Senado.

Segundo o cientista político Paulo Racoski, do IFRR (Instituto Federal de Roraima), a candidatura se insere em uma estratégia nacional do bolsonarismo para ampliar a bancada conservadora no Senado.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo