Esporte

Ilhas Malvinas pedem à Fifa que puna Argentina: ‘Desapontados, não surpresos’

O governo das Ilhas Malvinas divulgou nota oficial, na quinta-feira (16), criticando a conduta da seleção da Argentina após a semifinal da Copa do Mundo de 2026 diante da Inglaterra. O posicionamento ainda pede que a atitude seja punida por misturar assuntos políticos ao evento de caráter esportivo.

Os jogadores da Alviceleste comemoraram a classificação para a final abrindo uma faixa com os dizeres “as Malvinas são argentinas”, antes de descerem para o vestiário. A frase é uma referência à guerra no arquipélago em 1982, provocada pelo general Leopoldo Galtieri, presidente durante a ditadura militar no país vizinho.

Na nota, o governo malvinense diz que a equipe comandada por Lionel Scaloni decidiu manchar o resultado e lamentou a faixa exibida. “Decepcionados, mas não surpresos.”

Também afirmaram que o duelo da semifinal não tem ligação com o arquipélago. A conduta ainda foi classificada como insensível com a população local.

A Guerra das Malvinas matou 649 militares argentinos, outros 255 britânicos, além de três civis, e terminou com a derrota do ditador Galtieri, que não limpou a imagem desgastada dos militares através do conflito. O arquipélago a 480 km da costa sul-americana está sob o controle britânico desde 1833.

Em março de 2013, foi votado um referendo sobre a soberania do arquipélago. Quase 99% dos votantes decidiu pela manutenção da administração do Reino Unido sobre o território.

Segundo o texto, os assuntos políticos não devem ser levados para competições esportivas. “Tampouco desejamos que as Ilhas e seu povo sejam usados em toda discussão entre Inglaterra e Argentina.”

A nota agradece ao governo britânico e pede à Fifa uma punição aos atletas da Scaloneta, citando as regras do Mundial. “Esperamos que cumpra a promessa de manter a política fora do esporte, e que sancione comportamentos fora dessa natureza.”

A seleção da Argentina volta a campo pela última vez nesta Copa no próximo domingo (19), diante da Espanha, às 16h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.


Esporte / Folha de São Paulo

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