Política

Influenciadores pró-Lula cobram afastamento de Jaques Wagner após avanço do caso Master

A operação da Polícia Federal que teve como um dos alvos endereços ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA) provocou reações críticas em um grupo criado pelo PT para reunir influenciadores e apoiadores responsáveis por fortalecer a comunicação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais.

Em mensagens obtidas pela reportagem, integrantes do grupo “Pode Espalhar” passaram a cobrar explicações públicas de Wagner após o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. Parte dos participantes defendeu o afastamento do senador do partido, enquanto a maioria manifestou preocupação com possíveis desdobramentos políticos para o presidente Lula.

O grupo reúne 276 integrantes e foi criado pelo PT com o objetivo de articular apoiadores e influenciadores digitais em defesa do governo federal e de pautas ligadas ao partido. Os participantes do grupo utilizam o espaço para debater estratégias e levar aos tópicos mais comentados do Brasil assuntos que beneficiem o presidente, como foi o caso da #CongressoInimigoDoPovo adotada em 2025 quando deputados e senadores impuseram derrotas ao governo na votação das alíquotas do IOF, em ofensiva contra Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AM)

A reação ocorreu após a divulgação de informações da investigação que apura se a BN Financeira Ltda., empresa citada em documentos da Polícia Federal como vinculada a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, teria sido utilizada para receber e ocultar supostas vantagens indevidas relacionadas ao caso Banco Master.

Segundo os documentos que embasaram a operação, a BN Financeira recebeu 3,5 milhões de reais da PKL One Participações S.A. em outubro de 2025. A empresa é dirigida por Andréa Lima Novaes, apontada pelos investigadores como prima de Augusto Ferreira Lima, gestor associado ao Banco Master e considerado pela PF um dos principais interlocutores privados do senador.

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Entre as mensagens compartilhadas no grupo, alguns participantes defenderam uma resposta rápida por parte do partido e do próprio senador.

“Jaques Wagner tem de ser expulso do PT, essa é só mais uma m…. que ele faz. […] Já passou da hora desse tal de Jaques ser expulso do Partido e ir pra casa, pra não dizer, lata do lixo”, cobrou um dos integrantes da comunidade.

“Importante esclarecer rapidamente a origem e legalidade do dinheiro de forma convincente”, escreveu uma integrante.

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Outro participante afirmou esperar que “o presidente Lula e a Executiva do Partido não passem pano” para o episódio.

As manifestações também revelaram preocupação com os possíveis reflexos políticos do caso para o governo federal. “Lula não passa pano, é isso que importa. Esse assunto será esclarecido e resolvido”, escreveu uma integrante.

Embora algumas mensagens defendam cautela diante das investigações, a maior parte das manifestações observadas pela reportagem cobrava rápida resolução ou demonstrava desconforto com a permanência de Wagner como um dos principais quadros do partido.

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Uma das participantes escreveu: “Eu sou filiada ao PT, mas não vou passar pano e nem ficar acusando sem provas”. Outro integrante afirmou que, “mais do que explicações”, o senador “vai ter de provar que não tem envolvimento”.

(Reprodução/Reprodução)

Houve ainda manifestações defendendo explicitamente a saída de Wagner do PT. As discussões ocorreram sem orientação oficial dos administradores do grupo sobre como abordar o caso. Também não houve pedidos institucionais para que os participantes evitassem comentar o assunto. Apesar disso, alguns integrantes defenderam cautela até que as investigações avancem.

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Print de mensagens em grupo de influenciadores ligados ao PT (2)
Print de mensagens em grupo de influenciadores ligados ao PT (2) (Reprodução/Reprodução)

Outro lado

Procurada pela reportagem, a assessoria do senador Jaques Wagner afirmou que o parlamentar “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”. Em nota, a defesa informou ainda que Wagner acompanha as investigações “com tranquilidade” e mantém confiança na condução do caso.

A assessoria negou que o senador tenha atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira e afirmou que os valores em espécie apreendidos durante a operação são oriundos de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. A nota acrescenta que o senador permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos.

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