Integrantes do PSD veem pressão de Kassab por apoio a Caiado com ingresso na chapa

A entrada de Gilberto Kassab como candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado, em uma chapa só com integrantes do PSD, anunciada nesta terça-feira (30), foi interpretada por membros do próprio partido como um movimento para tentar persuadir dirigentes estaduais da sigla a apoiar o ex-governador de Goiás no lugar de um dos líderes das pesquisas de intenção de voto — Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O PSD liberou governadores e parlamentares a apoiar quem preferissem nestas eleições, desobrigando lideranças como Eduardo Paes (RJ), Raquel Lyra (PE) e Fábio Mitidieri (SE) de apoiar Caiado.
Contudo, com Kassab diretamente como candidato, a avaliação é que ele acrescenta uma camada de pressão informal a mais pela campanha do candidato do partido. O dirigente investe na relação interpessoal com os aliados, que ficaram constrangidos ao não pedir votos para ele, na avaliação de dois membros do PSD ouvidos pela coluna.
A definição da chapa ocorre em um momento conturbado da campanha de Flávio Bolsonaro, decorrente da divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) com críticas ao enteado.
Entre grupos bolsonaristas, já havia avaliação de que os áudios de Flávio pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, já tinham comprometido a pré-campanha presidencial do senador, e Caiado aparecia como uma opção à direita para enfrentar Lula.
Nestas conversas de bastidores, cogitava-se a escolha de um nome alinhado ao grupo — na eventualidade de Flávio se inviabilizar por completo.
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Folha de São Paulo



