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Jean Paulo Campos e Karol Lannes revelam como personagens marcados pelo bullying afetaram suas infâncias

Jean Paulo Campos (23) e Karol Lannes (26) viveram personagens que marcaram o público e, ao mesmo tempo, enfrentaram situações difíceis nas tramas. Em uma conversa especial para a CARAS, os atores refletiram sobre como separavam a ficção da vida real e relembraram os cuidados recebidos durante as gravações.

Jean interpretou Cirilo, um dos personagens mais populares de Carrossel. Na trama, o garoto enfrentava situações de racismo, algo que fazia com que a equipe se preocupasse com a forma como o ator mirim lidaria com o papel.

“Acho que essa era uma das partes mais que ficavam no meu pé. Porque o personagem do Cirilo era muito forte, ele sofreu um baita racismo. Então, todo mundo ficava muito preocupado com isso. As psicólogas da novela, os diretores, roteiristas ficavam preocupados com isso.”

Apesar da preocupação, Jean afirmou que sempre conseguiu diferenciar o personagem de sua vida pessoal. “E, desde o início, eu sempre consegui mandar bem nesse quesito. Eu sempre consegui diferenciar bem de quando eu tava fazendo o Cirilo e quando eu tava fazendo o Jean.”

Racismo e gordofobia na ficção

Durante a conversa, Karol percebeu uma semelhança entre os personagens vividos por ela e por Jean. “Eu acho que eu descobri agora porque colocaram a gente aqui juntos […] são dois personagens que sofreram muito bullying, né?”

A atriz interpretou Ágata em Avenida Brasil. Sua personagem era vítima de gordofobia dentro da própria família na trama, algo que exigia atenção especial para que a violência ficcional não ultrapassasse os limites das gravações.

“No meu caso era a gordofobia. No seu caso era o racismo. Mas eu acho que é isso que era tão importante pra gente separar. Porque eu era uma criança e sofria gordofobia da própria mãe. Mas dentro de casa, eu era muito bem tratada na vida real.”

Karol contou que Adriana Esteves (56), intérprete de Carminha, fazia questão de demonstrar carinho fora das cenas. “E as pessoas, assim, a própria Adriana Esteves fazia toda a questão de falar ‘acabou aqui’, a gente saía lá, ‘olha, eu te adoro, você é linda. Você sabe que isso é só em cena’. Então, ter esse cuidado, porque a gente é uma criança.”

Bullying também aconteceu fora da televisão

A distância entre personagem e atriz, no entanto, nem sempre era respeitada por outras crianças. Karol revelou que alguns apelidos usados por Carminha na novela acabaram sendo repetidos por colegas em sua vida pessoal.

“Eu sofria muito bullying na escola. Todo mundo acha assim ‘ah, caramba! Nossa, porque você era famosa. Você devia ter muitos amigos na escola’… o pessoal me odiava.”

A atriz explicou que sua rotina era muito diferente da vivida pelos colegas. “Era muito privilégio. A minha vida era muito diferente. Não tinha assunto. Não sei se você passava por isso. A gente não tava vivendo as mesmas coisas que eles. E eles não estavam vivendo as mesmas coisas que a gente.”

Karol também relembrou situações em que os apelidos de sua personagem foram levados para fora da ficção. “E tinha essa coisa, a Ágata sofria muito bullying. E aí, algumas crianças na época da novela faziam bullying comigo, por conta dos apelidos que a Carminha [me chamava], principalmente os meninos. As meninas iam fazer pelas costas, mas os meninos faziam na frente.”

Saúde mental e limites para a exposição

Além das experiências na televisão, Jean e Karol refletiram sobre a exposição vivida desde a infância. Jean reconheceu que a vida pública trouxe consequências, mas afirmou não carregar grandes traumas.

“Eu tive minha vida muito exposta mesmo, assim. A família, minha sexualidade, várias coisas”, contou. O ator destacou ainda a importância da terapia, que faz desde criança: “Trouxe uma consequência boa, que eu acho que é o cuidar da saúde mental.”

Karol também afirmou que a exposição precoce a ensinou a estabelecer limites sobre o que compartilhar. “Eu sei até onde eu posso expor e até onde eu gostaria que ficasse só pra mim na minha vida também”, explicou.

Jean concordou e relacionou essa experiência à forma como lida hoje com as redes sociais. “Eu acho que é por isso também, da gente ter tido essa super exposição quando era criança. Hoje em dia, eu sou bem mais tranquilo com tudo que eu vou postar ali.”

Assista a entrevista completa:

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