Política

Lula estuda medida de duplo alcance eleitoral

Para tentar recuperar popularidade e impulsionar sua candidatura à reeleição, Lula anunciou um pacote de bondades estimado em mais de 200 bilhões de reais. Entre as medidas, destacam-se a ampliação do programa de distribuição de gás de cozinha, o anúncio de linhas de financiamento a juros camaradas para a renovação da frota de automóveis e uma nova rodada de renegociação de dívidas.

Com a ajuda da máquina pública, o presidente ganhou terreno nas pesquisas de intenção de voto, mas não abriu vantagem suficiente para lhe conferir o status de franco favorito na eleição. Levantamentos recentes mostram que, na simulação de segundo turno, ele aparece em situação de empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), até aqui o nome mais competitivo da oposição.

Numa eleição que promete ser tão acirrada, cada voto vale. Lula sabe disso e estuda a adoção de uma medida que pode ter duplo alcance eleitoral: o reajuste do Bolsa Família antes da votação de outubro, exatamente como fez Jair Bolsonaro em 2022, quanto tentou a reeleição. O petista incumbiu a equipe econômica de encontrar espaço no Orçamento para custear o aumento do valor repassado pelo programa, que beneficia cerca de 50 milhões de brasileiros.

Com a iniciativa, o presidente pretende atenuar as queixas da população de menor renda com o custo de vida, que é um dos motivos de desgaste da imagem do governo. Outro objetivo com o reajuste do Bolsa Família é estimular essa fatia do eleitorado — que é majoritária e na qual Lula tem vantagem expressiva sobre Flávio Bolsonaro — a votar em outubro, numa espécie de retribuição.

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Há o temor entre governistas de que a abstenção entre os eleitores de baixa renda tire pontos importantes de Lula e impeça a renovação de seu mandato. Em 2022, conforme relatado no processo de tentativa de golpe de Estado julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), supostamente para beneficiar Jair Bolsonaro, programou uma série de blitz, especialmente na região Nordeste, para dificultar a chegada de eleitores do petista às urnas.

O então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, interveio e proibiu a PRF de realizar qualquer operação que atrapalhasse o transporte público de eleitores no dia do segundo turno, que acabou vencido por Lula por apenas 1,8 ponto percentual de diferença.

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