Lula protocola candidatura e lança plano de governo com palavra ‘soberania’ em 21 das 84 páginas

Na noite desta sexta-feira (7), a coligação “Brasil Pronto Pra Mais” oficializou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, com Geraldo Alckmin como vice. O registro marca o início formal da busca pelo quarto mandato do petista, trazendo um programa de governo com 84 páginas que coloca as necessidades do povo e a independência do país em primeiro lugar.
O grande destaque do documento é a defesa da soberania nacional. A palavra soberania aparece em 21 páginas do plano. O texto afirma que o Brasil não será submisso a interesses estrangeiros nem aceitará uma posição de dependência, criticando o “servilismo” de governos passados que abriram mão da autonomia brasileira.
Para Lula, ser soberano significa que o povo brasileiro deve decidir seu próprio futuro, protegendo nossas riquezas, como a energia e os minerais, para gerar desenvolvimento aqui dentro.
O plano também defende a autonomia em áreas como segurança alimentar, produção de energia limpa e o domínio de tecnologias digitais, para que o país não fique refém de crises internacionais ou de empresas estrangeiras. É um projeto que busca “fortalecer a indústria nacional e criar empregos de qualidade para a nossa gente”.
No combate ao racismo, o programa afirma que não é possível mudar o Brasil sem enfrentar a desigualdade racial como algo estruturante da sociedade. O compromisso é manter e ampliar as políticas de cotas no serviço público e nas universidades, além de acelerar a titulação de terras quilombolas e garantir que a população negra ocupe espaços de decisão no governo.
Para as mulheres, a prioridade absoluta é o enfrentamento à violência e ao feminicídio. O plano prevê a continuidade do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e a construção de mais “Casas da Mulher Brasileira”, garantindo atendimento rápido e proteção para as vítimas
Outro ponto fundamental é a autonomia econômica, com a aplicação rigorosa da Lei da Igualdade Salarial, para que mulheres e homens recebam o mesmo salário ao fazerem o mesmo trabalho.
As crianças também ganham atenção especial com o foco na proteção integral e no aprendizado. O governo propõe ampliar o número de creches e escolas em tempo integral, além de fortalecer o programa “Criança Alfabetizada” para garantir que todos aprendam a ler e escrever na idade certa.
No mundo digital, o plano promete medidas rígidas contra a pedofilia e a regulamentação do uso de telas, garantindo um ambiente seguro na internet.
Na saúde, o programa traz a proposta de incluir no “Farmácia Popular” não apenas remédios grátis, mas também exames de laboratório e diagnóstico para doenças comuns, como diabetes e hipertensão.
‘Herança maldita’
O texto também faz um balanço do que foi chamado de “herança maldita” deixada pelo governo anterior, de Jair Bolsonaro, citando o retorno da fome e o desmonte de políticas sociais.
O candidato à reeleição reforça que o objetivo agora é consolidar a reconstrução do Estado, garantindo que o pobre esteja no orçamento e o rico no Imposto de Renda, para reduzir a distância entre quem tem muito e quem não tem nada.
A coligação que apoia Lula é a maior desta eleição, reunindo sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSOL, REDE, PDT e PSB. Essa união de forças é vista como essencial para defender a democracia e avançar nas reformas que o país necessita, como a reforma tributária que já começou a desonerar o consumo das famílias mais pobres.
A campanha de rua começa oficialmente no dia 16 de agosto. O local escolhido para o lançamento é o estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, lugar histórico onde Lula iniciou sua trajetória de lutas ao lado dos trabalhadores nas grandes greves do final dos anos 1970.
A candidatura de Flávio Bolsonaro, representante do bolsonarismo e principal opositor de Lula nesta eleição, ainda não foi protocolada. O prazo vence no dia 15 de agosto.



