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Mesmo no auge da carreira internacional, modelo tinha um plano secreto para mudar de vida

Uma das modelos mais famosas do Brasil realizou uma mudança de rumo em sua vida após os 30 anos. Depois de construir uma carreira de sucesso no mundo da moda com direito a vida estruturada em Nova York, ela se abriu para o novo e mergulhou nos estudos para se tornar médica. Hoje, ela é uma médica geriatra e reflete sobre os desafios de iniciar uma nova carreira na vida adulta.

O sonho de infância e o desejo de voltar ao Brasil

A modelo Ana Claudia Michels começou a modelar na adolescência e alcançou o sucesso. Ela era o rosto de campanhas de moda ao redor do mundo com sua beleza única e conquistou o todo mundo desejava: morar em Nova York e ter estabilidade financeira. Porém, um desejo permanecia em seu coração: voltar o Brasil e seguir outra carreira.

Eu sempre tive na cabeça que eu ia voltar para o Brasil e fazer outra coisa. Que aquilo não era um caminho para sempre. Então, achava que o trabalho era o último e estava sempre de olho se não era o momento de eu voltar para o Brasil e começar outra coisa, fazer outra coisa no Brasil. Sempre com o olho pensando nisso”, disse ela no podcast B3 Oficial.

Inclusive, ela tinha a consciência de que precisava ter uma estabilidade financeira para conseguir se lançar em uma nova profissão sem perrengues. “Acho que até com o dinheiro, assim, eu era de guardar porque: ‘Não, daqui a pouco eu vou fazer outra coisa, não vou ser modelo para sempre e eu preciso estar organizada quanto a isso’. Na verdade, organizada acho que não é a palavra. Não era muito organizada, mas eu sabia que eu não podia gastar. Era o meu lema, assim, não gastar demais”.

Ana Claudia Michels – Foto: Reprodução / Instagram

Como ela decidiu iniciar o projeto de cursar medicina

Já adulta, Ana Claudia Michels começou a refletir sobre o esperava do futuro e se preparou para seguir uma nova profissão. Ela reservou dinheiro, comprou um apartamento em São Paulo e fez planos. “Era o meu sonho de infância. Eu comecei a trabalhar bem e poderia falar que estava tendo uma carreira muito bem-sucedida como modelo por volta dos 18. Até os 20, 21, ainda pensava: ‘Não, daqui a pouco eu vou voltar para Joinville e vou fazer minha faculdade, vou seguir minha vida’. Comecei a namorar, comecei a me envolver muito com as minhas amigas, e a gente começar a discutir da nossa vida mesmo, porque a gente não era mais adolescente. ‘Será que a gente vai morar aqui? Vamos comprar um apartamento? Quantos filhos você vai ter?’. Essa transição da infância para a vida adulta foi meio atribulada. Não tive muito uma adolescência, não teve muito espaço para fazer um monte de besteira e voltar para a casa dos meus pais. E eu era de um grupo de amigas que eram todas muito responsáveis”, afirmou.

Até uns 20, 21 anos, eu achava que ia voltar para Joinville, fazer faculdade e continuar. Passado esse período, quando eu comecei a realmente criar vínculo com as pessoas que eu convivia, que era minhas amigas, comecei a namorar, aquilo começou a ocupar menos do meu pensamento. Com uns 22, eu sempre sentia muita falta do Brasil. Isso eu tinha certeza, que eu ia voltar para cá. Comecei a pensar o que eu iria fazer de fato, e comecei a descartar o fato de fazer medicina porque parecia muito surreal naquele momento, com a vida que eu levava, voltar para a escola, enfrentar um cursinho e faculdade, parecia muito fora do que daria para fazer. Pensei em fazer direção de arte, aí eu vi que gostava muito de maquiagem, será que poderia ser maquiadora? Mas nada brilhava muito os meus olhos e me gerava uma certa angústia. E também não era mais momento de voltar para casa caso eu parasse tudo o que estava fazendo”, continuou.

Então, o terapeuta dela deu o pontapé inicial para ela começar a seguir no rumo da medicina. “Eu fazia terapia na época, com psiquiatra, eu adorava ficar vendo os diplomas dele na parede, e um dia eu falei para ele que queria ser médica e achava o máximo. E ele falou: ‘Por que você não se matricula em um cursinho e vê como é que é?’. Inicialmente, eu descartei a ideia, mas um dia eu pensei: ‘Pode ser algo interessante’. Não pensando que seria médica, mas pela experiência. Saí da minha zona de conforto, enfrentar adolescentes, senti medo de sofrer bullying. Fui seguindo um dia de cada vez e foi muito gostoso voltar a estudar depois dos 30. Eu sempre gostei de estudar, ter desafios, aprender coisas novas. Me salvou mentalmente voltar a estudar daquele momento”, afirmou.

Ana Claudia Michels - Foto: Reprodução / Instagram
Ana Claudia Michels – Foto: Reprodução / Instagram

A nova profissão: médica geriatra

Ana Claudia Michels começou a transição de carreira de fato depois dos 30 anos. Ela fez cursinho preparatório e entrou no curso de medicina. Enquanto isso, ela reduziu seus trabalhos como modelo. “Assim que eu entrei no cursinho, eu não viajava mais e não morava mais em Nova York, que foi a minha casa por muito tempo, até os 24, 25 anos. Voltei a morar no Brasil. Por um tempo, eu viajava, ficava 2 ou 3 meses em um país ou outro, e voltava para cá. Quando eu entrei no cursinho, não fazia mais as viagens. Eu ainda trabalhava bastante no Brasil e dava um jeito no cursinho”, afirmou.

Durante a faculdade de medicina, ela engravidou duas vezes e precisou ficar longe do curso enquanto cuidava dos bebês, mas sempre voltou até se formar. “Tive os dois filhos no internato. Tive um filho no primeiro ano do internato, e o segundo filho no segundo ano do internato. O internato são os dois últimos anos da faculdade de medicina, que é todo em hospital, todo na prático, tem pouco de sala de aula. Foram quatro anos cursando a parte teórica, e os dois últimos anos eu tive a Iolanda, parei seis meses, e tive o Santiago, parei seis meses. Quando eu voltava para o hospital, eu fiquei meio confusa, o que estou fazendo? Ao mesmo tempo, eu tinha medo de parar e perder o ritmo. Eu tive ajuda, o Augusto, meu marido, me ajudava demais. Ele falava: é difícil, mas você vai voltar, todo mundo volta a trabalhar”, afirmou.

Por fim, ela destacou que a reserva financeira que construiu como modelo foi o que permitiu que conseguisse fazer a transição de carreira de forma tranquila. “Na época em que eu consegui fazer uma reserva financeira que me desse tranquilidade foi na época em que morava em Nova York. Até os 23, 24 anos, que eu consegui guardar dinheiro no banco e comprei um apartamento em São Paulo. Durante a faculdade, eu continuei trabalhando, dava para guardar um pouquinho e ainda dava para cuidar dos meus gastos. Meu marido ganha mais dinheiro do que eu, sempre ganhou, e ainda muitas contas a gente vai juntos. Eu preciso disso na minha cabeça”, afirmou.

Hoje em dia, Ana Claudia Michels é médica com especialidades em clínica geral e geriatria.

Ana Claudia Michels com os filhos - Foto: Reprodução / Instagram
Ana Claudia Michels com os filhos – Foto: Reprodução / Instagram
Ana Claudia Michels com o marido - Foto: Reprodução / Instagram
Ana Claudia Michels com o marido – Foto: Reprodução / Instagram

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