Milei compartilha mensagem em que Lula é chamado de porco

O presidente da Argentina, Javier Milei, manteve nos últimos dias em suas redes sociais mensagens ofensivas a Lula (PT) e, neste domingo (9), compartilhou um texto em que o petista é chamado de porco.
“O ódio e o desprezo com que o criminoso Lula da Silva, do Brasil, se manifesta em relação ao nosso secretário de Estado, Marco Rubio, vêm diretamente de seus chefes na ditadura castro-comunista”, afirmou em sua conta na rede social X o deputado republicano Carlos A. Giménez, em referência ao regime de seu país de origem. E completou: “Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”.
O mesmo deputado chegou a publicar uma montagem (neste caso, sem compartilhamento por Milei) de foto de Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA, com a imagem de Lula no lugar do ditador da Venezuela, e a legenda “o que o espera”.
Antes disso, o argentino já havia republicado, por exemplo, a imagem de Lula sendo fichado no Dops (Departamento de Ordem Política e Social) em 1980, quando foi preso por liderar greves de metalúrgicos durante a ditadura militar.
Nos últimos dias, o volume de mensagens sobre Lula na movimentada conta de Milei aumentou. Em outra publicação compartilhada pelo ultraliberal, o conservador Agustín Laje afirma que “o esforço de grande parte da imprensa argentina para forjar a imagem de um inexistente ‘Lula inocente e honesto’ foi monumental”.
“Lula goza de cobertura jornalística favorável em nosso país, e uma parcela significativa da mídia decidiu que proteger o socialismo do século 21 exigia mentir a seu favor”, disse o escritor de ultradireita.
Outra publicação compartilhada por Milei afirma: “Nenhum veículo de comunicação brasileiro deu ao nosso ministro das Relações Exteriores espaço para expor sua posição”.
A mensagem diz respeito à entrevista do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, ao jornal argentino Clarín no final de semana. Nela, o chefe do Itamaraty disse que Milei precisa “parar com as agressões” contra Lula para que as relações entre os dois países se normalizem —na semana passada, o Brasil dispensou o embaixador argentino em Brasília em resposta aos ataques do ultraliberal.
“Milei não fez isso uma única vez, mas em várias ocasiões em menos de uma semana, a primeira delas na convenção”, afirmou Vieira, em referência à cerimônia de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo, onde a mais recente crise entre Argentina e Brasil começou.
Estrela do evento, o ultraliberal usou seu discurso para chamar Lula de ladrão, presidiário e “lixo socialista” e se referiu a Alexandre de Moraes como “lixo careca”. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) não permitiu uma visita de Milei a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília, como pretendia fazer o presidente argentino em sua passagem pelo Brasil.
As desavenças entre os dois remontam a 2023, quando Milei se referiu ao petista como comunista e corrupto durante sua vitoriosa campanha à Casa Rosada. Em junho de 2024, Lula sugeriu que seu homólogo pedisse desculpas, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que “o ego inflado de algum esquerdinha”.
Em nenhum momento, porém, a crise havia sido tão séria quanto no último mês. Após o evento em São Paulo, em 25 de julho, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, e o representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli.
Com novas ofensas no início de agosto, o governo Lula decidiu dispensar Raimondi e manter Bitelli no Brasil, rebaixando as relações entre com a Argentina, um dos principais parceiros comerciais do país, ao nível de encarregado de negócios. Trata-se da maior crise entre as duas nações em pelo menos 40 anos.
Folha de São Paulo



