Política

Milei diz que virá ao Brasil para lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Após receber uma visita de Flávio Bolsonaro no final de junho, o presidente da Argentina, Javier Milei, vai retribuir o gesto com um encontro no Brasil com o pré-candidato à Presidência do PL, segundo afirmou o próprio ultraliberal nesta sexta-feira (10).

Em entrevista à Radio Now, Milei disse que a reunião será no próximo dia 25 em São Paulo, data e local do lançamento da candidatura de Flávio. “Também farei uma parada em Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro“, afirmou o argentino sobre o ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar em sua casa na capital.

Ele não mencionou nenhuma visita ao presidente Lula (PT), com quem tem uma relação delicada devido ao seu histórico de ataques ao petista. Os dois líderes tampouco se encontraram na cúpula do Mercosul em Assunção, no final do mês passado, já que o argentino desisitiu de ir à reunião anual do bloco de última hora.

Eventual visita ao ex-presidente Bolsonaro dependeria de aval do STF (Supremo Tribunal Federal). O ex-mandatário, em prisão domiciliar por questões de saúde, está com restrição para receber visitantes. Conforme ordem do ministro Alexandre de Moraes, são autorizados apenas familiares, médicos, advogados e a equipe de saúde.

A visita de Milei ao Brasil ocorrerá menos de um mês após o presidenciável do PL se reunir com ele na residência oficial do mandatário, a Quinta de Olivos. “A onda azul está chegando ao Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro”, afirmou o argentino ao compartilhar em rede social uma foto dos dois após a reunião.

“Onda azul” é como vem sendo chamada a sequência de vitória da direita na América do sul, em contraposição à “onda rosa” do início dos anos 2000 que colocou diversos líderes de esquerda no poder. A populista de direita Keiko Fujimori no Peru e o ultradireitista Abelardo de la Espriella na Colômbia foram os últimos a se juntarem a maré, que abarca Bolívia, Chile, Equador e Paraguai, além da própria Argentina.

Na véspera, Flávio também havia citado a tendência em um salão de eventos de um hotel de luxo em Buenos Aires. “Enquanto nossos vizinhos, um a um, escolhem a liberdade e a ordem, o Brasil ainda está preso ao passado. Somos a peça que falta nesse mapa. E estou aqui para dizer, sem rodeios: em outubro, isso muda”, disse, em referência às próximas eleições.

Nas semanas posteriores, Milei pretende viajar para esses outros países que elegeram líderes conservadores.

No dia 28 de julho, ele estará em Lima para a posse de Keiko, a quem cumprimentou tão logo a contagem chegou ao 100%. “Parabenizo Keiko Fujimori por sua vitória histórica no Peru. O povo peruano se une à Colômbia e enviou uma mensagem clara: a região quer retornar ao caminho da liberdade e da segurança”, afirmou no final do mês passado.

Bogotá é o destino do início de agosto, quando ocorrerá a posse de Espriella. “O Leão e o Tigre rugem na América Latina“, afirmou quando o aliado ganhou a votação, usando os apelidos que o argenino e o colombiano se deram. “Parabenizo de todo o coração Abelardo de la Espriella por sua vitória histórica na Colômbia.”

De lá, deve voar para o Equador para encontrar o presidente Daniel Noboa, que em junho decretou um novo estado de exceção sob a justificativa de combater a violência no país, que nos últimos anos viu índices de criminalidade se multiplicarem com o aumento do tráfico de cocaína e o fortalecimento de grupos armados.

O tour indica uma mudança de posicionamento na diplomacia internacional. De acordo com levantamento do jornal argentino La Nación, Milei priorizou a relação com os Estados Unidos desde que chegou ao poder —foram 16 visitas ao longo de seu mandato até agora, em contraste com três viagens ao Brasil, três ao Paraguai, duas ao Chile e uma à Bolívia.

Em outubro passado, o presidente argentino teve ajuda de Donald Trump antes da surpreendente vitória nas eleições legislativas. Milei apelou aos EUA para evitar uma crise cambial às vésperas do pleito, e o governo americano ofereceu um pacote de resgate financeiro para ajudar o aliado antes do pleito.

Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo