Política

Pesquisa Datafolha expõe alerta ao bolsonarismo em SP, mas analistas veem um sinal de indefinição

Ler Resumo

Pesquisa Datafolha sobre a disputa pelo Senado em São Paulo colocou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) na liderança das intenções de voto, enquanto nomes ligados ao bolsonarismo aparecem atrás na corrida pelas duas vagas em disputa. No programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o cientista político Rafael Cortez e o colunista Robson Bonin avaliaram que o cenário ainda está longe de representar uma fotografia definitiva da eleição e destacaram fatores que podem alterar significativamente a disputa ao longo da campanha (este texto é um resumo do vídeo acima).

O que mostra a pesquisa para o Senado?

Segundo o Datafolha, Marina Silva lidera a disputa com 18% das intenções de voto, seguida por Simone Tebet, com 16%. Em seguida aparecem Ricardo Salles (Novo), com 13%; André do Prado (PL), com 11%; Guilherme Derrite (Progressistas), com 10%; e Paulinho da Força, com 8%.

Durante o programa, Laísa chamou atenção para o desempenho de Guilherme Derrite, apontado como um dos principais nomes do campo bolsonarista em São Paulo, mas que aparece atrás inclusive de André do Prado. A apresentadora questionou se a proximidade de Derrite com a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro poderia estar produzindo desgaste eleitoral.

Lula x Flávio: os eleitores que devem decidir a disputa

O bolsonarismo enfrenta dificuldades em São Paulo?

Para Rafael Cortez, o levantamento sinaliza obstáculos reais para os candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o cientista político, o primeiro fator é o desgaste da própria marca Bolsonaro, que acaba atingindo aliados mais identificados com o grupo político. “Esse desgaste acaba respingando em candidatos muito próximos do clã”, afirmou.

Cortez observou ainda que o comportamento do eleitor paulista varia significativamente conforme a região. Enquanto o bolsonarismo mantém forte presença no interior do estado, enfrenta índices elevados de rejeição na capital e na região metropolitana, o que dificulta a construção de uma candidatura competitiva em todo o território paulista.

Continua após a publicidade

Como os dois votos para o Senado influenciam a eleição?

Outro elemento destacado por Cortez é a própria dinâmica da eleição para o Senado. Como cada eleitor pode escolher dois candidatos, explicou o cientista político, torna-se muito mais difícil prever como os votos serão distribuídos.

Segundo ele, parte do eleitorado pode optar por dois candidatos do mesmo campo ideológico, enquanto outra parcela pode dividir os votos entre nomes de espectros políticos diferentes. No caso da direita, Cortez afirmou que há um risco adicional: a fragmentação dos votos entre candidatos como Ricardo Salles e Guilherme Derrite, reduzindo as chances de ambos e abrindo espaço para adversários.

As pesquisas para o Senado ainda são pouco confiáveis?

Na avaliação de Cortez, o atual estágio da disputa recomenda cautela. O cientista político destacou que eleições legislativas costumam registrar elevado grau de indefinição até as últimas semanas de campanha, principalmente porque muitos eleitores ainda conhecem pouco parte dos candidatos.

Ele lembrou que nomes como Marina Silva e Simone Tebet possuem alta notoriedade nacional, fator que tende a favorecer seu desempenho nas primeiras pesquisas. Por isso, afirmou que o levantamento deve ser interpretado mais como um indicador do nível de conhecimento dos candidatos e dos desafios de mobilização de cada campanha do que como uma projeção definitiva do resultado eleitoral.

Continua após a publicidade

Como explicar a diferença entre a disputa para governador e para o Senado?

Durante o debate, Laísa Dall’Agnol destacou uma aparente contradição revelada pelo próprio Datafolha: enquanto o governador Tarcísio de Freitas aparece em posição confortável para disputar a reeleição, a corrida ao Senado é liderada por duas candidatas associadas ao campo governista. Para Robson Bonin, essa combinação ainda parece improvável.

Segundo o colunista, há dificuldade em imaginar que o mesmo eleitorado que demonstra preferência por um governador identificado com a direita eleja simultaneamente duas representantes do campo progressista para o Senado.

Por que até o PT vê o cenário com cautela?

Bonin revelou que integrantes da própria campanha petista demonstram reservas em relação aos números. Segundo ele, lideranças ligadas ao ministro Fernando Haddad consideram improvável que as duas vagas ao Senado sejam ocupadas por candidatas alinhadas ao governo em um estado onde a direita permanece competitiva.

O colunista explicou que pesquisas realizadas muito antes da campanha oficial costumam ser influenciadas pelo grau de notoriedade dos candidatos. “Nessa fase, quando o eleitor ainda conhece pouco a disputa, ele tende a responder com os nomes mais conhecidos”, afirmou.

Continua após a publicidade

Bonin acrescentou que esse comportamento ajuda a explicar o desempenho inicial de figuras nacionais como Marina Silva e Simone Tebet e reforçou que o cenário deverá mudar à medida que a campanha ganhar intensidade.

Para ele, o levantamento representa apenas um “retrato do momento”, cuja consistência só poderá ser testada quando a propaganda eleitoral começar e os candidatos ampliarem sua exposição junto ao eleitorado.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

Veja

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo