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Milho safrinha responde por quase toda queda da produção agrícola em Goiás, aponta Faeg

Responsável por uma das maiores quebras dos últimos anos, o milho safrinha deve registrar queda de 31,4% na produção em Goiás e concentrar praticamente toda a redução da safra estadual de grãos. A avaliação é do assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Lucas Lopes de Castro, com base no 10º Levantamento da Safra 2025/2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Considerando que a redução total da produção de grãos em Goiás foi de aproximadamente 4,2 milhões de toneladas, observa-se que praticamente toda essa retração está debruçada sob o milho 2ª Safra”, destaca.

Segundo a Conab, a área cultivada em Goiás cresceu 5% nesta safra, mas a produção de grãos deve cair 11,2%. Para Castro, o aumento das lavouras demonstra que o produtor manteve a intenção de produzir, porém, a expansão da área não foi suficiente para compensar a queda da produtividade. “O aumento da área cultivada demonstra que o produtor goiano manteve sua intenção de produção e ampliou a utilização das áreas agrícolas. No entanto, área cultivada e produtividade nem sempre evoluem na mesma direção.”

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Gráfico: Mais Goiás | Dados: Conab – 10º Levantamento da Safra 2025/2026 e Faeg

Quebra histórica no milho

O principal fator para a perda de produtividade foi o déficit hídrico registrado entre abril e maio, justamente durante fases decisivas do desenvolvimento das lavouras. Segundo o assessor técnico, o atraso na colheita da soja fez com que parte do milho fosse semeada fora da janela ideal, aumentando a exposição das plantas aos veranicos.

“Durante os meses de abril e maio ocorreram períodos prolongados de restrição de chuvas em importantes regiões produtoras do Estado, justamente em fases críticas do desenvolvimento das lavouras.”

Além da estiagem, o aumento dos custos de produção levou muitos agricultores a reduzirem investimentos em fertilizantes, nutrição foliar e defensivos agrícolas, diminuindo a capacidade das lavouras de enfrentar o estresse climático. “Os fatores atuaram de forma conjunta, porém o clima foi o principal responsável pela queda da produtividade, enquanto a redução do nível tecnológico agravou seus efeitos.”

Além da seca, o atraso no plantio favoreceu o aumento da incidência de pragas, como cigarrinha-do-milho, lagartas e percevejos, comprometendo ainda mais o potencial produtivo das lavouras.

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Sorgo e girassol avançaram em Goiás como alternativas para reduzir riscos climáticos e econômicos no campo (Foto: reprodução)

Sorgo e girassol ganham espaço

Enquanto o milho sofreu forte retração, outras culturas avançaram na safra goiana. O girassol ampliou em 34% a área cultivada e deve alcançar produção estimada em 83,2 mil toneladas. Já o sorgo continua ganhando espaço entre os produtores por apresentar menor custo de produção e maior tolerância ao déficit hídrico.

Segundo Castro, esse movimento reflete uma estratégia de diversificação para reduzir riscos climáticos e econômicos. “Essa diversificação demonstra que o produtor rural busca reduzir riscos climáticos, otimizar o uso das áreas agrícolas e construir sistemas de produção mais resilientes.”

Milho para grãos e milho verde seguem mercados distintos

Castro explica que os dados divulgados pela Conab se referem ao milho destinado à produção de grãos, utilizado principalmente para ração animal, exportação e indústria.

Já o milho cultivado para consumo in natura, utilizado na produção de pamonha e outros alimentos, faz parte de outro segmento da cadeia produtiva. Segundo ele, os levantamentos oficiais sobre milho verde normalmente contabilizam apenas a produção destinada à indústria de processamento, como a fabricação de produtos enlatados. Com isso, parte da produção comercializada fresca não aparece nas estatísticas oficiais.

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Faeg defende ampliação do seguro rural e adoção de práticas agrícolas mais resilientes (Foto: reprodução)

Como recuperar a produtividade

Para as próximas safras, a Faeg defende o respeito à janela de plantio prevista no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), além da manutenção dos investimentos em fertilização, sementes certificadas, manejo fitossanitário e agricultura de precisão.

A entidade também aponta como fundamentais o fortalecimento das práticas de conservação do solo, como o plantio direto e o uso de plantas de cobertura, além da ampliação do seguro rural para reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes.

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