Ministro anuncia medidas para zerar fila do INSS até setembro

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estabeleceu uma nova meta para reduzir um dos principais gargalos da Previdência Social: zerar, até o fim de setembro, o estoque de pedidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ultrapassam o prazo legal de análise.
Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, o compromisso foi firmado após a chegada da nova presidente do INSS, Ana Cristina, servidora de carreira escolhida para comandar o órgão em meio ao esforço de reorganização administrativa. “Ela me garantiu que a gente consegue zerar essa fila até setembro”, afirmou.
Wolney fez questão de esclarecer que a meta não significa interromper a entrada de novos requerimentos. De acordo com ele, o INSS recebe cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês, volume que continuará existindo. O objetivo é eliminar apenas o estoque de processos que permanecem parados acima do prazo de 45 dias estabelecido para resposta ao cidadão.
“O nosso desafio é o tempo médio de atendimento. Ou seja, responder ao cidadão num prazo de 45 dias”, explicou. “Quando a gente deixar tudo rodando dentro dos 45 dias, não importa o número. Entram 1,3 milhão de pedidos e tudo é respondido em 45 dias. Então não tem fila.”
A estratégia do governo combina reforço na estrutura do instituto com mudanças na gestão do trabalho. Entre as medidas adotadas estão a nomeação de novos peritos médicos, a redistribuição desses profissionais para cidades-polo — sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde a demanda por benefícios sociais é maior — e a ampliação dos mutirões de atendimento.
Os números apresentados pelo ministro indicam um crescimento significativo dessas ações. Enquanto em 2023 foram realizados cerca de 14 mil atendimentos em mutirões, em 2025 esse total chegou a 178 mil. Neste ano, segundo ele, já foram realizados aproximadamente 195 mil atendimentos, com a expectativa de alcançar mais de 400 mil até dezembro.
Além da ampliação da força de trabalho, o governo também intensificou o monitoramento interno da produtividade. Wolney relatou que a atual direção do INSS passou a acompanhar o desempenho das agências e dos servidores por meio de dezenas de painéis de gestão, permitindo identificar gargalos e cobrar respostas de forma mais rápida.
Outra frente considerada decisiva foi a continuidade do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que prevê o pagamento de bônus para servidores e peritos que atuam na análise de processos represados. Segundo o ministro, o incentivo ajudou o instituto a registrar recordes de concessão de benefícios nos últimos meses.
Wolney também rebateu críticas de que a redução da fila estaria ocorrendo por meio do aumento de negativas de pedidos. Segundo ele, os dados mostram justamente o contrário: o número de benefícios concedidos aumentou nos últimos anos, o que, na avaliação do governo, demonstra que o esforço tem sido direcionado para acelerar a análise dos processos e garantir o acesso de quem possui direito ao benefício.
Ao detalhar o conceito adotado pela pasta, o ministro explicou que a fila considerada prioritária é composta apenas pelos requerimentos que permanecem acima dos 45 dias sem depender de complementação documental por parte do segurado. “Nós estamos focando naquele estoque que tem acima dos 45 dias e que não está em exigência. A fila é isso aí. Nós temos que acabar com isso para deixar tudo rodando abaixo dos 45 dias”, afirmou.
O que significa zerar a fila
Na prática, o governo pretende eliminar, até setembro, o chamado estoque represado de requerimentos. Depois disso, o INSS tende a continuar recebendo aproximadamente 1,3 milhão de novos pedidos por mês, mas a expectativa é que essas solicitações deixem de formar um novo gargalo, sendo analisadas e respondidas dentro do prazo médio de até 45 dias. Assim, a “fila zerada” mencionada pelo ministro não representa ausência de pedidos, mas sim o fim do passivo acumulado e a manutenção do fluxo regular de atendimento aos segurados.



