Novo governo: Imprevisibilidade de Lula criou ambiente de instabilidade na economia

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Um novo governo Lula vai começar em oito semanas. Até agora, porém, não está claro o rumo da economia.
É possível que o presidente reeleito dê algumas indicações em discurso que seria gravado nesta quinta-feira (5/11) com divulgação prevista para domingo.
É notável que no Palácio do Planalto e nos ministérios da Fazenda e do Planejamento predominem dificuldades para explicar, objetivamente, qual vai ser a rota da economia.
Lula atravessou dez meses de campanha eleitoral sem dar pista do que planeja fazer no quarto mandato, mas seguiu a receita do antecessor Jair Bolsonaro: na batalha pela reeleição, gastou cerca de um bilhão de reais por dia —despesas que devem ser custeadas a partir de 2027.
O efeito prático foi duvidoso se considerado o fato de que a rejeição a Lula (próxima de 50%) se manteve inalterada de janeiro a outubro e, apesar da montanha de dinheiro, ele perdeu o primeiro turno. A virada na segunda votação teve um componente de espontaneidade no protesto contra o candidato Flávio Bolsonaro que deve ocupar os historiadores por um bom tempo.
Passados onze dias da eleição, não há previsibilidade sobre o rumo da economia no próximo governo, mas sabe-se que continua sendo do Brasil a maior taxa de juros real do planeta: está em 9,5%, descontada a inflação prevista para os próximos doze meses, calcula a consultoria Moneyou.
Por enquanto, nada indica que esse cenário seja alterado para melhor até o réveillon ou mesmo durante o primeiro semestre de 2027. Nem o Banco Central acredita em mudança.
Na quarta-feira, o BC interrompeu o ciclo de oito meses de redução da Selic, a taxa básica de juros. Imobilizou-a (em 13,75% ao ano) sob a justificativa de “aumento significativo das incertezas”.
Algumas certezas, porém, são possíveis. Uma delas: com ou sem plano, Lula tem um encontro marcado com o desequilíbrio nas contas públicas. Outra: a imprevisibilidade criou um ambiente de instabilidade na economia — e o custo é alto, como indica o recorde mundial de juros.
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