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Novo trecho do BRT Norte-Sul vai ligar terminais em Goiânia

Depois de mais de uma década marcada por paralisações, mudanças de contratos e sucessivos atrasos, o maior projeto de mobilidade urbana de Goiânia avança para uma nova etapa. A prefeitura de Goiânia deve iniciar nesta terça-feira (15) as obras do novo trecho do BRT Norte-Sul, que fará a ligação entre os terminais Isidória e Cruzeiro do Sul. O investimento supera R$ 92 milhões e representa uma das principais intervenções previstas para o transporte coletivo da capital nos próximos anos.

O projeto contempla a implantação de 4,2 quilômetros de corredor exclusivo para ônibus, reforma completa do Terminal Isidória, ampliação e modernização das estações de embarque e desembarque, obras de drenagem, pavimentação, sinalização e adequações viárias ao longo do percurso.

A ordem de serviço foi emitida pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) após aprovação da Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento, e validação do Ministério Público Federal (MPF). As obras serão executadas pelo Consórcio ACA, com prazo contratual de 18 meses.

A reportagem procurou a Prefeitura de Goiânia para confirmar oficialmente o cronograma e obter detalhes sobre os impactos da obra durante a execução. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

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O que muda para quem usa ônibus todos os dias

Muito além da construção de um novo corredor exclusivo, a expectativa da administração municipal é reduzir um dos principais problemas enfrentados diariamente pelos usuários do transporte coletivo: o tempo perdido em congestionamentos.

Hoje, milhares de passageiros dividem espaço com o tráfego comum em diversos trechos da cidade, o que provoca atrasos frequentes, principalmente nos horários de pico.

Com a implantação do novo corredor, os ônibus passarão a circular em faixa exclusiva, reduzindo interferências causadas pelo trânsito e proporcionando viagens mais rápidas, maior regularidade entre os horários e menor tempo de espera nos pontos.

Outro impacto esperado é a melhoria da integração entre bairros das regiões Sul, Leste e Central de Goiânia, beneficiando trabalhadores, estudantes e usuários que utilizam diariamente os terminais Isidória e Cruzeiro do Sul.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que corredores exclusivos podem aumentar significativamente a velocidade operacional dos ônibus, tornando o transporte coletivo mais competitivo em relação ao automóvel particular e reduzindo a emissão de poluentes ao diminuir o tempo em que os veículos permanecem parados no trânsito.

Na avaliação do urbanista Tiago Sampaio, obras de mobilidade urbana têm impactos que vão além da melhoria do transporte coletivo. Segundo ele, corredores estruturantes costumam reorganizar o crescimento da cidade, estimular novos investimentos e impulsionar a ocupação de áreas estratégicas.

“Corredores de transporte de alta capacidade funcionam como eixos de desenvolvimento urbano. Eles reduzem o tempo de deslocamento, ampliam a acessibilidade e tornam determinadas regiões mais atrativas para a instalação de empresas, serviços e empreendimentos imobiliários. Na prática, uma obra como essa não transforma apenas a mobilidade; ela influencia diretamente a economia local, valoriza o entorno e modifica a dinâmica de ocupação da cidade ao longo dos anos”, afirmou ao Mais Goiás o  urbanista Tiago Sampaio.

Sampaio ressalta que os resultados, no entanto, dependem da integração entre o corredor de ônibus e outras políticas públicas. “Para que o investimento alcance todo o seu potencial, é fundamental que a infraestrutura seja acompanhada por melhorias na acessibilidade, nas calçadas, na iluminação, na segurança viária e na integração com outros modais, como ciclovias e linhas alimentadoras. Quando esse conjunto funciona de forma articulada, o ganho para a população é muito maior do que a simples redução do tempo de viagem”, explicou.

Trincheira deve desafogar um dos principais gargalos da região

Entre as intervenções previstas, uma das mais aguardadas é a construção de uma trincheira na Avenida Tapajós, no cruzamento com a Avenida Rio Verde.

O trecho é considerado um dos pontos críticos da mobilidade na região Sul da capital, concentrando intenso fluxo de veículos, ônibus e caminhões ao longo do dia.

Com a separação dos fluxos em diferentes níveis, a expectativa é reduzir filas nos semáforos, melhorar a fluidez do trânsito e diminuir o risco de acidentes em um dos cruzamentos mais movimentados da cidade.

Além da trincheira, o projeto prevê melhorias na drenagem, iluminação pública, acessibilidade, calçadas, sinalização horizontal e vertical e requalificação urbana ao longo de todo o corredor.

Uma obra que atravessa quatro gestões municipais

O BRT Norte-Sul tornou-se uma das obras públicas mais emblemáticas de Goiânia.

Lançado em 2015, o sistema deveria estar concluído em 2020. Entretanto, ao longo da execução, enfrentou uma série de problemas, incluindo mudanças nas empresas responsáveis, paralisações, revisões de projetos, questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), necessidade de novas licitações e exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para intervenções na região da Praça Cívica.

Durante esse período, o empreendimento passou por 17 aditivos contratuais, elevando o custo inicialmente previsto de aproximadamente R$ 245 milhões para cerca de R$ 325 milhões.

Nos últimos meses, a Prefeitura concluiu etapas consideradas estratégicas, como a entrega do Terminal Urias Magalhães e a finalização de aproximadamente 97% do corredor principal.

Agora, o novo trecho entre os terminais Isidória e Cruzeiro do Sul representa o início da fase de expansão do sistema.

Impacto para toda a cidade

A expectativa é que, após a conclusão das obras, milhares de passageiros sejam beneficiados diariamente com viagens mais rápidas, maior previsibilidade dos horários e melhor integração entre diferentes linhas do transporte coletivo.

A ampliação do BRT também deve contribuir para reduzir o número de ônibus circulando em corredores convencionais, melhorar a fluidez do trânsito em vias importantes da capital e oferecer mais segurança para pedestres, ciclistas e motoristas.

Embora os benefícios sejam esperados a médio e longo prazo, a execução das obras deverá provocar alterações temporárias no trânsito da região, que serão detalhadas pela Prefeitura à medida que os trabalhos avançarem.


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