O PT tornou-se ‘radioativo’ para candidatos ao governo de Minas Gerais

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A gestão do petista Fernando Pimentel como governador de Minas Gerais entre 2015 e 2019 deixou, entre outros traumas, um rastro de grave crise fiscal, com atrasos nos salários do funcionalismo e repasses retidos para prefeituras.
Pimentel também foi acusado de pedir propina a empreiteiras, como a Odebrecht, em troca de favorecimentos durante o período em que foi Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e chegou a ser condenado a 10 anos e seis meses de prisão por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
O ex-governador, assim como grande parte dos políticos pilhados na Operação Lava-Jato, conseguiu se livrar da maioria dos processos e hoje ocupa o cargo de diretor-presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), estatal responsável pela gestão de ativos do governo federal, ligada ao Ministério da Fazenda.
Os estragos que ele provocou na administração de Minas Gerais e no Ministério do Desenvolvimento, no entanto, ainda pesam sobre os ombros do PT.
Os próprios petistas admitem que o partido no estado é “radiotivo” para os políticos que disputarão as eleições de outubro. O PT tem ouvido muitos “não”. A lista inclui pessoas que recebem convite pessoal do presidente Lula para concorrer, como a prefeita de Contagem, Marília Campos, o deputado federal Patrus Ananias e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD).
A herança do PT em Minas também tem atrapalhado alianças com outros partidos. A legenda já tentou, sem sucesso, fazer uma composição com o PDT, lançando uma chapa única com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que se antecipou e anunciou sua candidatura sem o apoio do partido de Lula.
O líder do governo no Senado, Camilo Santana (CE), um dos coordenadores da campanha do PT à reeleição presidencial, admitiu que o partido não deve ter candidato próprio no Estado em função da avaliação ruim de Pimentel.
Em entrevista ao jornal O Globo, ele admitiu que o PT corre o risco de sofrer um revés em Minas se mantiver candidatura própria, diante da ‘gestão mal avaliada de Pimentel’. “Esse é um dos motivos pelos quais eu defendo que não seja um nome do PT, por conta do resultado do governo do Pimentel”, afirmou.
Minas é um estado considerado historicamente decisivo nas eleições presidenciais porque, é o segundo maior colégio eleitoral do país e desde 1989 todos os presidentes eleitos venceram no Estado.
A falta de um candidato forte do PT, para os especialistas, pode dificultar a reeleição de Lula. “Sem um palanque forte em Minas Gerais, Lula pode ter sua eleição comprometida. É um grande risco”, avalia o cientista político Alberto Aggio, da Universidade Estadual de São Paulo. “O saldo das administrações do PT em Minas Gerais, com muitas questões de corrupção e pouca entrega, pesa significativamente na decisão de lideranças de centro ou centro-esquerda em assumir candidaturas majoritárias, como as de governador e senador”, acrescentou.
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