OpenAI e Anthropic reduzem preços para concorrer com ‘baratos’ modelos chineses de IA

Alguns dos principais laboratórios de inteligência artificial dos EUA, como OpenAI e Anthropic, estão lançando modelos mais baratos enquanto lutam para manter clientes atentos aos custos, que vêm migrando para alternativas de baixo preço oferecidas por concorrentes chineses.
A guerra de preços ocorre em um momento em que a alta das despesas com IA leva empresas a restringir o uso e buscar modelos mais baratos, ajudando desenvolvedores chineses, entre eles Moonshot e DeepSeek, a conquistar espaço entre usuários do Vale do Silício à Europa.
A OpenAI afirmou recentemente que reduziria em 80% os preços do GPT-5.6 Luna, seu “modelo mais rápido e acessível”. A Anthropic lançou o Claude Opus 5, promovendo a “inteligência de fronteira… pela metade do preço” do Fable 5, o modelo mais avançado da empresa.
As medidas ajudaram a reduzir em quase 25%, desde meados de julho, os preços pagos pelos clientes por modelos dos principais laboratórios norte-americanos, segundo o índice de preços de tokens da Silicon Data. Tokens são as unidades de dados processadas por modelos de linguagem e usadas para calcular as contas de muitos clientes.
Os cortes representam uma mudança para os grupos de IA dos EUA que produzem modelos proprietários “fechados” e que, até agora, tinham uma competição pelo desempenho. Modelos chineses “abertos” cada vez mais avançados —que podem ser baixados gratuitamente e modificados por desenvolvedores— têm contribuído para pressionar os preços.
As medidas também ocorrem enquanto OpenAI e Anthropic planejam IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) com avaliações de trilhões de dólares, ao passo que investidores buscam provas de que os enormes gastos do setor com IA podem gerar retorno.
Empresas que utilizam IA enfrentam pressões de custos à medida que Anthropic e OpenAI transferem alguns clientes corporativos de assinaturas com preço fixo para uma cobrança baseada no uso, pela qual as empresas pagam de acordo com os recursos computacionais que consomem.
Algumas empresas reagiram ao aumento das contas impondo limites ao uso de IA ou testando alternativas mais baratas. Companhias como DoorDash e Airbnb disseram ter começado a usar modelos produzidos na China para tentar conter as despesas.
Essa mudança coincidiu com uma enxurrada de lançamentos de laboratórios chineses que reduziram a diferença de desempenho em relação aos principais modelos norte-americanos, gerando preocupação no setor de tecnologia dos EUA de que os desenvolvedores do país possam perder clientes mesmo enquanto gastam muito para manter sua vantagem tecnológica.
Os laboratórios de IA oferecem uma variedade de modelos com diferentes recursos e preços, e os custos variam ainda mais de acordo com a versão do modelo e as configurações de “esforço” utilizadas. Em geral, os clientes pagam por tokens de entrada, usados para medir os dados fornecidos a um modelo, e por tokens de saída, que medem o conteúdo gerado em resposta.
Os mais recentes cortes de preços dos laboratórios norte-americanos se aplicam a produtos intermediários e os tornam mais competitivos em relação às ofertas chinesas. A OpenAI, por exemplo, reduziu o preço do GPT-5.6 Luna de US$ 1 para US$ 0,20 (de R$ 5,19 para R$ 1,04) por milhão de tokens de entrada e de US$ 6 para US$ 1,20 (de R$ 31,15 para R$ 2,08) por milhão de tokens de saída.
A Anthropic lançou o Opus 5 a US$ 5 (R$ 25,96) por milhão de tokens de entrada e US$ 25 (R$ 129,80) por milhão de tokens de saída —metade do preço de seu modelo Fable 5. Nesta semana, a empresa cancelou um aumento planejado nos preços de seu modelo Sonnet 5, que entraria em vigor em setembro.
No entanto, os preços nominais dos tokens não permitem uma comparação direta entre modelos de IA. Opções mais avançadas às vezes conseguem concluir uma tarefa usando menos tokens ou com menos tentativas, o que significa que um modelo aparentemente mais caro com base no preço nominal dos tokens pode, no fim das contas, custar menos.
Além disso, a maioria pode operar com diferentes configurações de “esforço”, que alteram o poder computacional empregado para responder a uma pergunta e podem afetar tanto o desempenho quanto o custo final de concluir uma tarefa.
A Artificial Analysis, que avalia modelos em áreas como matemática, ciências, programação e raciocínio, constatou que o Opus 5, da Anthropic, com esforço “médio”, apresentou desempenho e custo por tarefa semelhantes aos do Kimi K3, da Moonshot, com esforço “máximo”. O GPT-5.6 Luna, da OpenAI, com esforço “máximo”, teve desempenho semelhante ao V4 Flash, da DeepSeek, também no “máximo”, mas custou pouco menos que o dobro por tarefa.
Anthropic e OpenAI não quiseram comentar.
Uma pessoa próxima à Anthropic afirmou que o fato de o Opus 5 ter preço inferior ao de seu carro-chefe, o Fable 5, refletia a forma como a “família de modelos é estruturada, portanto não há relação com concorrentes”.
Mantas Lukauskas, líder de tecnologia de IA da Hostinger, provedora de hospedagem de sites que utiliza grandes modelos de linguagem desde 2020, observou que os preços dos melhores modelos permaneciam “estáveis ou em alta”.
Ele acrescentou que as recentes mudanças de preços são o “primeiro teste de verdade” para saber se grupos como Anthropic e OpenAI conseguem preservar o preço de suas ofertas mais avançadas: “Os laboratórios americanos reduziram os preços no segmento intermediário e estão defendendo o topo”.
Folha de São Paulo>



