Paixão pelo campo faz influenciador catalogar mais de 800 fazendas no Brasil


Para muitas pessoas, uma fazenda antiga é apenas uma construção envelhecida e marcada pelo abandono. No caso de Paulo Victor Figueiredo Alves, de Sumidouro (RJ), a visão é bem diferente. Ele entende que paredes, janelas, mobílias e detalhes arquitetônicos revelam momentos do passado que não podem se perder com o tempo.
Há quase oito anos, o influenciador percorre as cinco regiões do Brasil em busca de propriedades antigas e das histórias que elas carregam. E são muitas. No caminho, reuniu dados e curiosidades que ajudam a preservar a memória da vida rural ao catalogar mais de 800 fazendas.
O interesse pelo assunto começou na infância, por influência direta do avô, Paulo Teixeira, também apaixonado por casarões, engenhos e estâncias.
A primeira visita a uma fazenda aconteceu quando Paulo Victor tinha sete anos. Aos 12, outra experiência inesquecível: ao lado do patriarca, conheceu todas as propriedades da família e, além de ouvir histórias sobre cada uma, registrou tudo em fotos e vídeos.
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“Desde que me entendo por gente, gosto de saber as curiosidades desses lugares. O meu avô nasceu em uma fazenda histórica chamada Fazenda Conceição. E quando fui passear com ele, ele me contou tudo. Isso só aumentou minha sina por esses casarões”, revela à Globo Rural.
Os anos foram passando, e a paixão pelas construções que testemunharam o auge de diferentes ciclos da produção agrícola, como do café e da cana-de-açúcar, não ficou apenas na lembrança. Ele passou a se dedicar às pesquisas sobre os patrimônios rurais do Brasil catalogando cada local visitado e também escreveu três livros – dois publicados e um terceiro previsto para outubro.
“No começo, eu queria apenas ter uma rede social para dividir isso com as pessoas. Eu pensava: ‘Posso demorar, mas toda fazenda que eu adicionar será uma história real, com dados verdadeiros e confiáveis’. Eu, então, criei um site (Fazendas Antigas). Tenho milhares de acessos mensais e mantenho as redes sociais para as pessoas interessadas saberem mais sobre as fazendas”.
Fazenda do Paraízo, em Rio das Flores (RJ)
Arquivo pessoal
Do hobby para a profissão
A paixão cultivada desde a infância não parou nos livros e na tentativa de mostrar pela internet os detalhes visíveis e invisíveis de uma construção antiga. Ela abriu espaço para uma nova profissão. Paulo é hoteleiro e empresário e, junto com a esposa, Tatiane Alves, organiza excursões a fazendas selecionadas e com a autorização dos proprietários.
“Percebemos que muitas pessoas que acompanham o nosso site não querem só as imagens, mas a oportunidade de entrar, caminhar por esses lugares e conhecer de perto as histórias que contamos. Durante o passeio, procuramos apresentar não apenas a arquitetura, como a história da fazenda, quem foram as famílias que viveram ali, como é a região e os acontecimentos ligados àquele lugar”.
Como complemento, a família possui um hotel na Fazenda São Lourenço, em Sumidouro (RJ), onde os clientes podem usufruir do casarão construído em 1830 a partir de visitas guiadas, jantar em um salão histórico e hospedagem nos quartos.
E mais do que compartilhar conhecimento com pessoas apaixonadas por propriedades históricas e oportunizar passeios, a profissão oferece ao influenciador a possibilidade de chegar a locais que, até então, faziam parte apenas de pesquisas. Um deles é o Castelo Garcia D’Ávila, em Mata de São João (BA), construído em 1551 e considerado a primeira edificação fortificada e de arquitetura medieval das Américas. O Engenho Freguesia, em Candeias (BA), de 1590, também é uma das muitas construções antigas da lista.
Engenho Cajaíba, em São Francisco do Conde (BA)
Arquivo pessoal
Nenhuma fazenda é igual
Apesar do número expressivo de propriedades catalogadas – mais de 800 – com nome, localização, histórico, ano de fundação, relato oral, lendas locais, vídeos e fotos, Paulo Victor destaca que cada unidade é única, característica que o fascina a cada visita.
“Nunca encontrei duas construções iguais. Cada uma tem a sua arquitetura, história, marcas, famílias e personagens. Às vezes, chegamos imaginando que já sabemos o que vamos encontrar e, de repente, aparece um detalhe diferente, como pintura escondida, móvel que passou por gerações, capela, documentos, senzala… E não são só os grandes casarões que me surpreendem. São os detalhes e, principalmente, as histórias humanas. É isso o que me faz ter sempre a mesma curiosidade de quando comecei”, finalizei.
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