PCC e CV como terroristas não produz “ganho concreto”, diz Amorim

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, embaixador Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12/8) que a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos não gera “ganhos concretos” e oferece riscos à soberania nacional.
Amorim foi chamado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Creden) da Câmara para prestar esclarecimentos sobre ofício da chancelaria brasileira que admitiu o temor em relação a Washington utilizar força militar no Brasil, após classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.
“Do ponto de vista jurídico, a classificação não produz ganhos concretos para a cooperação internacional. Os mecanismos hoje existentes entre Brasil e Estados Unidos permitem troca de informações de inteligência, cooperação policial, extradições, apreensão de bens, recuperação de ativos e combate à lavagem de dinheiro”, destacou Amorim.
O embaixador acrescentou que a determinação chegou a prejudicar investigações da Polícia Federal (PF).
“Sem coordenação prévia com o governo brasileiro, antecipou uma operação que estava sendo montada pela PF para cumprir um mandado de prisão que havia sido expedido. Nossos agentes acabaram não conseguindo capturar a pessoa que estava sendo investigada aqui no Brasil”, revelou.
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do Metrópoles
Durante declaração aos deputados, o ex-chanceler voltou a reforçar a posicionamento do ministro Mauro Vieira e citou a Estratégia de 2025 do governo norte-americano, que prioriza o Hemisfério Ocidental e prevê a retomada da Doutrina Monroe como forma de reforçar a influência e a preeminência dos EUA sobre a região.
“Não se pode ignorar que determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista ou narcoterrorista foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos internacionais“, alertou Amorim, que citou os ocorridos após o 11 de Setembro e as operação militares norte-americanas na Venezuelana que culminaram na captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Entenda o caso
Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos, que conduz a política-externa norte-americana, determinou a classificação do PCC e CV como organizações terroristas.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se opõe à classificação e alega que a medida não avança além da coordenação feita entre os dois países, gerando precedentes perigosos ao território nacional.
Metrópoles



