PL briga por 24 vagas no Senado e reabilita bandeira anti-STF após crise de Moraes

Ao menos 24 candidatos do PL ao Senado despontam na briga pelas 54 vagas ao Senado em disputa nesta eleição, apontam pesquisas Datafolha e Quaest realizadas na segunda quinzena de agosto, período que marcou a largada da campanha eleitoral.
O desempenho abre para o partido a perspectiva de ampliar sua bancada na Casa e buscar uma maioria capaz de levar adiante uma das principais bandeiras da direita bolsonarista: o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). O PL também conta com aliados de outras legendas para tentar alavancar a pauta, como Novo e PSD.
A ofensiva contra o STF ganhou novo impulso nos últimos dias, após a divulgação de detalhes de conversas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao todo, quatro candidatos do PL lideram isolados na disputa pela primeira vaga em seus estados, caso de Michelle Bolsonaro (DF), Reinaldo Azambuja (MS), Eduardo Gomes (TO) e Fernando Máximo (RO).
Outros 20 nomes aparecem competitivos na disputa pela segunda vaga, sendo a maioria em empate técnico com outros candidatos.
O levantamento é baseado em pesquisas Datafolha em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Distrito Federal, Ceará e Piauí e pesquisas Quaest nos demais 20 estados.
As pesquisas retratam o atual momento da disputa. O voto para o Senado, em eleições anteriores, era a última decisão dos eleitores, fazendo com que os levantamentos registrem grandes variações até o resultado final. É também, historicamente, o cargo com maior percentual de votos inválidos (nulo e branco).
O PL atualmente tem 15 senadores, sendo 10 com mandato até fevereiro de 2031, e 5 cujo mandato está em disputa nas eleições deste ano. Assim, a legenda tem potencial de chegar a até 34 senadores, caso tenha sucesso em todos os estados onde está em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas.
Nesta terça-feira (1º), candidatos ao Senado pelo PL defenderam o afastamento de Moraes por impeachment ou renúncia após a divulgação de informações de relatório da Polícia Federal sobre a relação do ministro com Vorcaro.
Foi o caso do deputado federal Carlos Jordy (PL), candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, que defendeu a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar os elos do Master com Moraes.
“Não dá mais, nós precisamos instalar a CPMI do Banco Master. Não importa se é eleição, isso é muito mais importante que a eleição”, disse o deputado.
O impeachment do ministro também foi defendido por candidatos ao Senado de perfil bolsonarista, mas filiados a outros partidos, caso dos senadores Carlos Viana (PSD-MG) e Esperidião Amin (PP-SC).
O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), que busca o Senado, usou o caso nesta terça-feira (1º) para alavancar sua candidatura. “Toda essa esculhambação na República depende de uma mudança no Senado. Temos que mudar o Senado.”
Até mesmo nomes que não são alinhados ao bolsonarismo sinalizaram apoio ao afastamento de Moraes. Teresa Surita (MDB), candidata ao Senado em Roraima, disse que o STF “ultrapassou limites” e defendeu códigos claros para a Corte.
Para aprovar o impeachment de um ministro do STF é preciso ter uma maioria simples de 41 senadores. A decisão de pautar o tema, contudo, cabe à presidência do Senado, outra meta do PL para a próxima legislatura.
Conquistar uma maioria no Senado, contudo, não será uma tarefa simples. Ao todo, o PL lançou 33 candidatos em 25 unidades da federação. Em estados como Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro, além do Distrito Federal, o partido concorre às duas vagas.
A expectativa, porém, é de uma disputa acirrada entre aliados de Flávio Bolsonaro (PL), aliados do presidente Lula (PT) e candidatos que estão neutros em relação à disputa presidencial, mas têm força em seus estados.
Dentre os petistas, três lideram isolados numericamente: Rui Costa (BA), Marília Campos (MG) e Benedita da Silva (RJ). Considerando os cenários de empate técnico, também buscam a primeira vaga Humberto Costa (PE), Paulo Pimenta (RS) e Rogério Carvalho (SE).
Na briga pela segunda vaga, segundo as pesquisas, estão dez petistas, incluindo senadores em reeleição como Randolfe Rodrigues (AP), Fabiano Contarato (ES) e Jaques Wagner (BA). O PT atualmente possui 9 senadores, sendo 6 em fim de mandato.
A estratégia petista de contenção ao avanço do bolsonarismo no Senado também passa pelo apoio a partidos aliados. Além de nomes de legendas de esquerda, o partido também apoia nomes de partidos fora da coligação de Lula, como MDB, PSD e União Brasil.
Aliados de Lula lideram numericamente para a primeira vaga em 11 estados, cenário que inclui nomes como Cid Gomes (PSB-CE), Helder Barbalho (MDB-PA) e Marília Arraes (PDT-PE).
Depois do PL e do PT, legendas como MDB, PSD, PP, União Brasil e Republicanos aparecem entre as legendas com mais candidatos competitivos na disputa.
Folha de São Paulo



