PL oficializa candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado para destravar anistia a golpistas

O PL oficializou nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado para o biênio que começa em 2027. Em reunião com cerca de 30 senadores em Brasília, o líder da oposição evidenciou que a principal motivação da disputa é abrir caminho para o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025.
“O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, afirmou Marinho durante o encontro.
O senador vai enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que tenta a recondução. Alcolumbre já declarou que a anistia a golpistas não é assunto de interesse dos brasileiros e chegou a articular um texto alternativo, restrito à redução de penas e sem alcançar Bolsonaro.
Voto aberto e recado ao STF
Na entrevista coletiva após o lançamento, Marinho defendeu mudar as regras da eleição para a Mesa Diretora, hoje feita por voto secreto. Segundo ele, a votação aberta permitiria ao eleitor acompanhar a posição de cada senador e evitaria o que chamou de estelionato eleitoral. “Voto aberto é extremamente recomendável e necessário, mas vamos avaliar de que forma podemos fazer”, ponderou.
Enquanto a regra não muda, aliados do senador discutem uma estratégia para que parlamentares de direita anunciem publicamente em quem vão votar.
Marinho também tentou desvincular a candidatura da ofensiva bolsonarista contra ministros do STF, embora tenha deixado a porta aberta para pedidos de impeachment. “Evidente que não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja. Somos candidatos defendendo a Constituição. Se algum ministro do STF cometer crime de responsabilidade, não seremos omissos, mas não vamos antecipar ou fazer juízo de valor”, declarou.
Revanche de 2023
Não é a primeira vez que Marinho tenta comandar o Senado. Em 2023, a pedido de Bolsonaro, ele concorreu contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e perdeu, com 32 votos. Ao relembrar a derrota, o senador reclamou de ter sido excluído, junto com a bancada do PL, da distribuição de postos nas comissões. “Os vencedores não fizeram gestos, não nos permitiram participar das comissões. Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência”, prometeu.
Durante o evento, Marinho homenageou Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de quem coordenou a campanha presidencial. Derrotado por Lula no segundo turno, Flávio não reconheceu o resultado e deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos.
O lançamento reuniu também nomes de fora do PL, como o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e os senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). O Novo, que terá três senadores, anunciou apoio formal à candidatura. Já o PL terá a maior bancada da Casa a partir do ano que vem, com 28 parlamentares, mas ainda está longe dos 41 votos necessários para vencer entre os 81 senadores. Marinho, no entanto, diz já contar com mais de 40 apoios.
Direita dividida
O principal obstáculo do senador está no próprio campo. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, mantém candidatura própria e aposta no trânsito com o Centrão para se viabilizar. Na avaliação da oposição, duas candidaturas de direita favorecem Alcolumbre.
Marinho afirmou que conversou com a senadora na manhã desta quarta e que os dois devem buscar um nome único mais adiante. “A Tereza tem toda a legitimidade para ser candidata. Conversamos pela manhã. Ela naturalmente vai tentar viabilizar sua candidatura e, em momento oportuno, vamos convergir”, disse.
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), saiu em defesa da ex-ministra diante de ataques vindos da própria direita. “Queria lamentar alguns posicionamentos da direita sobre a Tereza Cristina. Ela sempre esteve em todas as nossas reuniões com Rogério Marinho. É nossa aliada”, criticou.
Alcolumbre, por sua vez, já reúne o apoio das direções de União Brasil e PP, que formam uma federação, além de MDB, PSD e PT.



