Plano registrado por Haddad foca segurança em contraste com imagem da esquerda; conheça propostas

O plano de governo registrado pelo ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo, coloca a segurança pública como prioridade, pauta que esteve nas últimas décadas mais associada à direita e vista como um gargalo para a esquerda.
O documento, disponível no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), tem 15 páginas, mas não deve ser a versão final do plano.
Segundo a campanha do petista, essas são apenas diretrizes, conforme exigido pela Justiça Eleitoral, e o texto definitivo deve ser divulgado após série de atos para lançamento das propostas, como houve com as de segurança.
Na parte da segurança, o plano não cita a cracolândia na capital paulista nem o problema das drogas no estado. A equipe de Haddad afirma que esse tema está atrelado às dependências e estará presente no eixo de saúde, que será lançado em breve.
As próximas medidas a serem detalhadas pela campanha devem ser as de educação e, na sequência, saúde e agro.
A cartilha está estruturada em sete seções. A primeira é uma introdução, uma carta de Haddad sobre a situação atual do estado, com críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), sem menção direta ao nome do seu principal opositor nas eleições paulistas. “Um governo que entrega pouco, muito menos do que toda a força paulista é capaz de gerar”, diz o petista.
A mensagem afirma que o ex-ministro da Fazenda de Lula (PT) “quer ser cobrado”, mas a diretriz inteira não traz nenhuma meta. O texto promete que, no primeiro ano de um eventual governo, o programa será transformado em plano de gestão, com objetivos concretos.
Nos capítulos seguintes, o candidato do PT trata, respectivamente, de segurança pública, educação, economia e saúde. O primeiro tema, sua prioridade declarada, traz promessas já abordadas no evento de lançamentos das propostas: placar de crimes esclarecidos, agência estadual antifacção e uso de inteligência artificial.
O plano cita a IA para a montagem de mapas de calor dos crimes, para monitoramento e regulação de leitos de saúde e até para o aumento da produtividade de padaria de bairro.
O texto não menciona nominalmente ou via estratégia focalizada a cracolândia, um dos maiores problemas de segurança e saúde pública da capital, ou o tráfico de drogas.
“O tema é reiteradamente tratado pelo candidato Fernando Haddad em entrevistas e agendas públicas, fazendo parte da agenda propositiva da campanha. Em suma: além de teto, trabalho e tratamento, enfrentamento sem impunidade da venda de drogas e atuação integrada com todas as esferas de poder”, diz, em nota, a campanha petista.
Na apresentação das propostas específicas da segurança, Haddad chegou a citar haver focos de consumo de crack na capital paulista mapeados por sua equipe e disse que esse problema também acontecia em cidades do interior de São Paulo.
O plano de governo também não nomina especificamente a Sabesp, mas perpassa o tema do saneamento e fala em universalização dos serviços e garantia da segurança hídrica para áreas vulneráveis. As críticas à privatização foram uma das tônicas da pré-campanha.
“Nas concessões e nas privatizações, o princípio será claro: contrato vale, e vale para os dois lados. Quem assumiu o compromisso de prestar um serviço ao paulista vai entregá-lo no prazo e na qualidade combinados, com fiscalização de verdade e com transparência desde a assinatura”, afirma o candidato na carta.
Na esfera da educação, o plano trata de alfabetização na idade certa, combate à evasão escolar, expansão do ensino integral e respeito à autonomia universitária de USP, Unicamp e Unesp.
Também critica, em contraste à defesa da utilização de IA em outras áreas, políticas de uso de plataformas digitais, uma das marcas da gestão de Renato Feder na Secretaria de Educação.
Na seção dedicada à economia, Haddad trata de melhorar a qualidade e a remuneração dos empregos e promete apoiar, via crédito e simplificação para a abertura de empresas, os pequenos negócios.
Ainda elogia o agronegócio do interior paulista, região onde historicamente o PT costuma ter dificuldade, mas a proposta se restringe a citar “defesa sanitária animal e vegetal tratada como infraestrutura estratégica”.
No plano da saúde, Haddad trata de tópicos como reduzir filas de consultas e cirurgias e disponibilizar informações do paciente no aplicativo do Meu SUS Digital.
Nas seções finais, há um capítulo transversal que engloba outras áreas, como “igualdade e respeito”, “moradia”, “cultura” e “turismo”, com um parágrafo para cada novo eixo, sem propostas aprofundadas. O último trata de diretrizes administrativas e do foco em uma gestão eficiente.
Folha de São Paulo



